Oceanos: o "coração" azul que mantém a vida na Terra; entenda!
Ouça detalhes na participação do comentarista Marco Bravo

Expedição Lusitânia, que atravessa o Oceano Atlântico, vai passar por Vitória. Crédito: Daniel Venturini/Agência Marinha
Nesta semana em que se comemora o "Dia Mundial dos Oceanos", celebrado em 8 de junho, somos convidados a olhar com mais atenção para esse imenso ambiente azul que cobre grande parte do planeta e sustenta a vida na Terra. Este é o assunto em destaque nesta edição do "CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade", com o comentarista Marco Bravo. Muitas vezes, quando falamos em meio ambiente, pensamos nas florestas, nas árvores, nos rios e nos animais terrestres. Mas os oceanos são fundamentais para o equilíbrio do planeta. Eles regulam o clima, influenciam as chuvas, armazenam calor, abrigam uma imensa biodiversidade e garantem alimento, renda e qualidade de vida para milhões de pessoas.
Um dos aspectos mais importantes e ainda pouco conhecido pela população, é o papel do fitoplâncton. Esses organismos microscópicos vivem nas águas superficiais dos oceanos e realizam fotossíntese. Nesse processo, absorvem gás carbônico e liberam oxigênio. Ou seja, parte significativa do oxigênio que respiramos vem dos oceanos.
Além disso, o fitoplâncton está na base da cadeia alimentar marinha. Ele alimenta pequenos organismos, que servem de alimento para peixes, crustáceos, moluscos, aves marinhas, tartarugas, baleias e tantas outras espécies. Quando o oceano adoece, toda essa cadeia da vida é ameaçada.
E os sinais de alerta estão cada vez mais evidentes. O aquecimento global vem elevando a temperatura das águas oceânicas. Ao mesmo tempo, o excesso de gás carbônico na atmosfera contribui para a acidificação dos mares, tornando a água mais ácida e afetando diretamente organismos sensíveis, como corais, moluscos e diversas espécies marinhas.
Um dos efeitos mais visíveis dessa crise é o branqueamento dos corais. Os corais vivem em associação com microalgas que lhes fornecem energia. Quando a água fica quente demais ou o ambiente sofre estresse, os corais expulsam essas algas, perdem sua coloração e ficam esbranquiçados. Se esse estresse continuar, eles podem morrer.
A morte dos corais não representa apenas a perda de uma bela paisagem submarina. Os recifes são verdadeiras cidades subaquáticas. Eles abrigam milhares de espécies, protegem áreas costeiras contra a força das ondas, sustentam a pesca e têm enorme importância ecológica, social e econômica.
Outro grande problema é a poluição. Lixo plástico, redes de pesca abandonadas, óleo, esgoto doméstico sem tratamento e efluentes industriais lançados de forma irregular comprometem a qualidade da água e ameaçam diretamente a vida marinha. Muitos animais confundem plástico com alimento. Outros ficam presos em resíduos descartados de maneira irresponsável.
Aqui no Espírito Santo, essa reflexão é ainda mais próxima da nossa realidade. Somos um estado costeiro, com praias, manguezais, baías, atividades pesqueiras, turismo e comunidades que dependem diretamente da saúde do mar. Cuidar dos oceanos é cuidar também da Baía de Vitória, das praias capixabas, dos manguezais, dos pescadores, da economia local e da qualidade de vida da população.
Nesta Semana do "Dia Mundial dos Oceanos", precisamos reforçar uma mensagem simples e urgente: o mar não é lixeira! Não podemos continuar lançando lixo, esgoto doméstico, resíduos industriais e plásticos nos rios, canais, praias e oceanos. Tudo o que jogamos de forma errada no ambiente pode, mais cedo ou mais tarde, chegar ao mar.
É necessário ampliar o saneamento básico, tratar o esgoto, fiscalizar os lançamentos industriais, reduzir o consumo de plásticos descartáveis, fortalecer a educação ambiental e estimular uma mudança real de comportamento. A vida na Terra depende dos oceanos. Eles produzem oxigênio, regulam o clima, alimentam populações, protegem a biodiversidade e sustentam o equilíbrio do planeta.
Portanto, a pergunta que fica nesta semana tão simbólica é: se os oceanos nos dão tanto, o que estamos devolvendo a eles? Preservar os oceanos não é apenas uma pauta ambiental. É uma pauta de saúde pública, economia, segurança alimentar, justiça climática e sobrevivência. Defender os oceanos é defender a própria vida. Ouça a conversa completa!