Conheça a mística do vinho francês Château Mouton Rothschild
Ouça o Minuto do Vinho desta quinta-feira (13), com o enófilo Luiz Cola!

Château Mouton Rothschild. Crédito: Reprodução
Nesta edição do Minuto do Vinho, Luiz Cola continua a sua série sobre "vinhos míticos". Dessa vez, o rótulo escolhido é o famoso Château Mouton Rothschild, da região de Bordeaux, na França. Quais as histórias e segredos que envolvem a bebida? A comentarista explica: "O vinho ocupa o seleto grupo 'Premier Grand Cru Classé' da França, graças ao Barão Philippe de Rothschild. No comando da vinícola entre 1922 e 1988, ele foi o grande responsável pela ressurreição da propriedade e passou engarrafar seus vinhos no próprio château, algo inovador na época".
Ouça o quadro completo.
LUIZ EXPLICA:
"Do ponto de vista da fama e qualidade, seria difícil escolher entre os cinco “Premier Grand Cru Classé” do Médoc (Lafite-Rothschild, Mouton-Rothschild, Latour, Margaux, Haut-Brion), mas escolhi o Mouton-Rothschild por conta das histórias associadas a ele que, indiretamente, lhe trouxeram uma fama extra. Localizado na comuna de Pauillac, no coração do Médoc (conhecida como a Margem Esquerda de Bordeaux), o Mouton-Rothschild pertence a nobre família de banqueiros Rothschild desde 1853, quando o Château Mouton de Pauillac foi rebatizado com o nome atual.
Na famosa classificação dos vinhos de 1855, elaborada para a Exposição Universal de Paris, o Mouton foi classificado como "Deuxième Grand Cru Classé" (ou Segundo Cru), mas quase 120 anos depois, ele foi promovido ao posto de Premier Grand Cru Classé, em 1973, pelo Ministério da Agricultura francês, graças a uma campanha incansável do Barão Philippe de Rothschild.
No comando do château entre 1922 e 1988, o Barão Philippe de Rothschild foi o grande responsável pela ressurreição da propriedade. Já no ano de 1924 ele passou engarrafar seus vinhos no próprio château, ao inovador, pois até então, os vinhos eram enviados em barricas para seus compradores. Outro aspecto muito marcante nos vinhos da propriedade é o rótulo. Desde 1945 um artista famoso é convidado para ilustrá-los.
Nesse ano, comemorando a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, o artista Philippe Jullian desenhou um "V" (de Vitória) no rótulo. Ao longo dos anos (e até hoje) grandes artistas deixaram sua marca criativa nesses rótulos. Detalhe: eles não são pagos pelo trabalho, mas recebem vinhos de duas safras distintas, inclusive daquela que ilustraram.
Veja alguns dos artistas que já tiveram essa honra: Salvador Dali (1958), Miró (1969), Marc Chagall (1970), Kandinsky (1971), Pablo Picasso (1973), Andy Warhol (1975). Uma curiosidade extra: o rótulo de Balthus (1993) foi proibido nos EUA (por conter um croquis de uma menina nua) e foi necessário fazer um segundo rótulo apenas para as exportações ao país.
O Château Mouton Rothschild abrange cerca de 90 hectares de vinhas em Pauillac, plantadas com Cabernet Sauvignon (81%), Merlot (15%), Cabernet Franc (3%) e Petit Verdot (1%), aptas a compor o famoso “corte bordalês”.
No mais, ao longo de sua história recente, o Mouton-Rothschild investe pesadamente na manutenção desse status (1er Grand Cru Classé) e entrega aos apreciadores um Bordeaux de primeira grandeza, como seus pares do topo da pirâmide da classificação do Médoc: um tinto robusto, concentrado, mas com grande equilíbrio e profundidade, com longa capacidade de guarda e evolução. Por razões óbvias, a safra 1945 é uma das mais valorizadas pelos colecionadores e ainda se mostra em grande forma quando uma das raras garrafas é aberta mundo afora!"