Agressões contra mulheres crescem em dias de jogos de futebol
O estudo é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Violência doméstica. Crédito: Shutterstock
Em dias de jogos de futebol, a violência contra mulheres aumenta. Uma pesquisa que comparou registros de violência contra mulheres com o calendário do futebol no Brasil concluiu que os casos de agressão sobem 28,8% em dias de jogos. O trabalho, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), partiu de dados colhidos em cinco capitais do Brasil, cruzados com a agenda dos três torneios que mais mobilizam times em escala nacional. Os dados colhidos para o trabalho cobrem São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Porto Alegre (PA), e foram obtidos por Lei de Acesso à Informação com secretarias de segurança para o período de 2023 a 2025. É a pesquisa "Futebol e Violência Contra a Mulher 2ª edição - 2026". Este é o assunto em destaque nesta edição do "Segurança em Foco".
O estudo, patrocinado pela rede de varejo Magalu e promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, mostra como o fenômeno da violência no esporte tem uma relação próxima com o da violência de gênero. Além dos casos de agressão, os registros de ameaça também sobem, em 27,4%, nos dias em que são realizadas as partidas. Segundo a pesquisa, "os resultados da pesquisa não permitem concluir que o futebol seja a causa da violência contra as mulheres, mas indicam que ele pode atuar como catalisador de dinâmicas patriarcais preexistentes".
O cruzamento de informações foi feito com datas de partidas do Campeonato Brasileiro, da Libertadores da América e da Copa Sulamericana, em que figuram participações os clubes com maiores torcida em cada uma das cidades incluídas. Em entrevista à CBN Vitória, a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Raquel Sousa, fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!
Recomendações para o enfrentamento da violência contra as mulheres no contexto do futebol:
1. Instituir, em todos os setores dos estádios, postos permanentes de acolhimento e formalização de denúncias de violência contra as mulheres, garantindo atendimento imediato e evitando a necessidade de deslocamento ao Juizado Especial do Torcedor ou a unidades externas de segurança pública.
2. Assegurar a atuação articulada entre poder público, clubes, federações e torcidas para a promoção de debates e ações permanentes sobre violência contra as mulheres e padrões de masculinidade.
3. Fortalecer os mecanismos de monitoramento da violência doméstica, com atenção à recorrência das denúncias e ao efetivo cumprimento das medidas protetivas de urgência.
4. Implementar encontros educativos de médio e longo prazo, promovidos pelas federações e clubes, voltados à desconstrução de padrões de masculinidade hegemônica e de práticas de dominação de gênero.
5. A partir da atuação articulada, desenvolver estratégias de prevenção que considerem fatores de risco associados, com especial atenção ao consumo abusivo de álcool e à dependência de apostas esportivas (bets), enquanto potenciais catalisadores de situações de violência.
6. Fomentar, por meio das secretarias de cultura, políticas públicas voltadas às torcidas que valorizem dimensões socioculturais do futebol, priorizando a promoção de uma cultura torcedora inclusiva em detrimento de abordagens exclusivamente proibitivas.
7. Estabelecer parcerias com iniciativas e projetos voltados ao desenvolvimento socioemocional de jovens torcedores.
8. Incentivar a atuação dos clubes na promoção de programas contínuos de formação de atletas, com foco na prevenção da violência contra as mulheres e na responsabilidade social no esporte.
9. Adotar protocolos internos, no âmbito dos clubes, para o tratamento de casos de violência doméstica envolvendo atletas, incluindo medidas de responsabilização e acompanhamento.
10. Promover a formação continuada de integrantes de torcidas organizadas e sócio torcedores sobre violência de gênero, bem como incentivar a criação de protocolos internos de responsabilização e afastamento de membros condenados por violência doméstica.
[fonte: https://forumseguranca.org.br/publicacoes/futebol-e-violencia-contra-a-mulher-2a-edicao-2026/]