16 pessoas morrem por dia afogadas no país; saiba como se proteger
Ouça entrevista com a major do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, Gabriela Andrade
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Fernanda Queiroz
fcastro@redegazeta.com.br
Praia das Pelotas, em Guarapari. Crédito: Archimedes Patricio
O Espírito Santo registrou este ano 103 mortes por afogamento, até a data de 11 outubro de 2026, conforme dados do Observatório da Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp). O verão concentra o maior número de casos, com fevereiro (21) e janeiro (18) na liderança. E é em regiões de água doce que as mortes se concentram, enquanto no mar o número de afogamentos é maior. Segundo a major do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, Gabriela Andrade, a maior parte das mortes no Espírito Santo ocorre em água doce. "Na praia, há mais guarda-vidas e as pessoas chegam com medo; em lagoas e rios, o medo é menor e a exposição ao risco, maior. As crianças, por curiosidade, estão ainda mais expostas", explica.
Segundo dados do Observatório, em 2026, a água doce respondeu pela maior parte das mortes: rios e córregos somam 33%, lagos, lagoas e represas 27,2% e cachoeiras 1,9%, cerca de 62% do total, contra 20,4% no mar. Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos representam 20,4% das vítimas fatais, a maior fatia entre as faixas etárias.
A major explica que a maioria dos óbitos por afogamento no Brasil acontecem no verão, e o El Niño tende a agravar o cenário: com mais calor, aumenta o fluxo de pessoas na água e, com ele, o número de casos. No Brasil, diariamente, morrem 16 pessoas, sendo 4 delas crianças.
“Água no umbigo sinal de perigo, quer segurança um braço de distância do seu filho”, explica a major. Ainda segundo ela, boias de assento e circulares podem ajudar a afogar, a boia de braço sai com facilidade por causa do protetor solar. O item mais seguro é o colete de espuma, que também não dispensa a supervisão.
"CORRENTE DE RETORNO":
No mar, a corrente de retorno é a maior causa de afogamentos, explica a major. Ela se forma quando correntes laterais se encontram e criam um fluxo forte em direção ao mar aberto, difícil de ser percebido por quem está na água. Ao ser puxado, o banhista costuma entrar em desespero e tenta nadar contra a corrente, mas acaba se cansando, e é nesse momento que ocorre o afogamento. O mais indicado é não lutar contra ela: o banhista deve sair pelas laterais ou, se estiver cansado, flutue. Saber nadar não blinda ninguém, e há casos de afogamento de atletas e profissionais.
A major aponta ainda a bebida alcoólica como o principal erro dos adultos, porque potencializa o risco e faz a pessoa superestimar a própria capacidade, além do celular como outro fator de distração. A recomendação é escolher o “pai ou mãe da rodada”, que não bebe enquanto supervisiona as crianças. Sungas e lycras de cores chamativas ajudam a identificar a criança rapidamente. Diante de um afogamento, a orientação é acionar imediatamente o guarda-vidas, que aciona o Corpo de Bombeiros, e oferecer algo que flutue, sem contato físico, já que a vítima em pânico tende a agarrar quem tenta ajudar. Em entrevista à CBN Vitória, a major Gabriela Andrade fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!