Como criminosos agem no golpe do falso sequestro
Ouça entrevista com o Delegado Titular da Delegacia Especializada Antissequestro, Alysson Pereira Pequeno
-
Fernanda Queiroz
fcastro@redegazeta.com.br
Golpe da chamada de vídeo. Crédito: Pixabay
Nos últimos dias foi destaque no noticiário o caso de um golpe do falso sequestro que levou uma família de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, a momentos de tensão. Suspeitos entraram em contato com uma adolescente pelo celular e durante a ligação informaram que estavam mantendo a irmã dela refém em um quarto e que a vítima precisava sair da residência, senão seria morta. Além disso, os criminosos pediram que ela não procurasse ninguém nem falasse com nenhum outro familiar.
Por meio de uma videochamada e da ferramenta de compartilhamento de tela, os criminosos monitoraram a adolescente. Depois que saiu de casa, orientaram a menina a dizer aos familiares que ela é que havia sido sequestrada e pedir que fizessem transferências bancárias. Diante da ameaça, a família realizou o pagamento. O valor não foi divulgado pela polícia.
Esse tipo de crime, segundo o delegado Alysson Pereira Pequeno, titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), explora justamente o medo da vítima. Ele explica que os criminosos criam uma situação de urgência para pressioná-la a fazer transferências de dinheiro, mantendo a vítima em videochamada, sob a ameaça de que algo grave aconteça à suposta pessoa sequestrada.
“O que a gente recomenda nesse tipo de situação é cautela. Muita calma quando receber qualquer tipo de ligação de números estranhos. Nunca sair apressadamente fazendo aquilo que é orientado por esses criminosos, pois pode ter um final não muito feliz. Procurar de forma imediata ajuda das autoridades policiais”, orientou o delegado.
Segundo Alysson, o golpe do falso sequestro pode envolver mais de uma vítima. Uma delas é convencida a sair do local onde está e permanece durante todo o tempo em contato com os criminosos por telefone. Durante a conversa, os suspeitos podem pedir que a pessoa faça o espelhamento da tela do celular.
Com acesso ao aparelho, os criminosos conseguem contatos e outras informações que podem ser usadas para ampliar o golpe. Enquanto mantêm a primeira vítima ocupada ao telefone, eles entram em contato com familiares e pessoas próximas. Aos parentes, os suspeitos dizem que a vítima foi sequestrada e está mantida em cárcere. Em seguida, fazem ameaças e exigem dinheiro para supostamente garantir a libertação dela. Em entrevista à CBN Vitória, o delegado fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!