Museu Solar Monjardim: um resgate da história do período colonial

A sede da antiga Fazenda Jucutuquara começou a ser construída na década de 1780 e foi finalizada no século XIX

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 04/09/2018 às 14h24
Atualizado em 20/05/2021 às 16h46

Museu Solar Monjardim resgata a história do período colonial. Crédito: Divulgação

Uma viagem no tempo para dentro do século XIX. O Museu Solar Monjardim, em Jucutuquara, resiste em meio aos modernos prédios que invadiram a ilha de Vitória, que completa nesta semana 467 anos.

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O acervo da sede da antiga Fazenda Jucutuquara, que começou a ser construída na década de 1780 e foi finalizada no século XIX, resgata a história não somente da tradicional família do Barão de Monjardim, mas do período colonial do Brasil.

O local integra o quadro do Instituto Brasileiro de Museus. Os objetos da casa mostram como era o cotidiano de uma família abastada da época: costumes, a religiosidade, arte sacra, a culinária, utensílios domésticos e instrumentos musicais, entre muitas outras riquezas materiais e imateriais.

Durante o passeio pelo museu, cartazes detalham o que cada parte do casarão representa. Nem mesmo a estrutura do piso da sede da fazenda escapa da visão dos especialistas, como explica o assessor de comunicação do museu, André Santos Sesquim.

"A parte da cozinha é completamente diferente do resto. Andando pela casa como um todo, você vai ver um piso de madeira, de jacarandá, super bem polido. Já na cozinha, o piso é de tijoleira, rústico, porque ali não ficavam os senhores da casa. Ficavam mais os escravos e, depois da abolição, os serviçais. A gente fala também da culinária, da influência que tivemos de negros, índios e europeus para chegar no lugar onde chegamos e sermos referência em culinária."

Erguida em local elevado e diante do braço de mangue que entrava até bem perto da chamada Pedra dos Olhos, a habitação passou à família Monjardim em 1816, juntamente com o resto da fazenda, como dote pelo casamento da filha única de seu proprietário com o Coronel José Monjardim. Devido à importância, foi o primeiro edifício do Espírito Santo tombado como patrimônio nacional, na década de 1940 e é o único museu federal no Estado, como destaca o historiador Fernando Achiamé. "É um exemplar único de uma fazenda antiga nessa região de Litoral. Nós não temos outros exemplares desse tipo no Estado. No Brasil restam pouquíssimos."

O incêndio que destruiu o acervo no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, acendeu o alerta no Espírito Santo. O Monjardim também sente os efeitos dos anos de existência e de um orçamento cada vez menor para a manutenção do casarão. Um projeto de restauração já foi apresentado ao Governo Federal em busca de melhorias necessárias no telhado, na parede da frente, no piso, nas madeiras que têm partes corroídas pelo cupim, na rede elétrica.

Enquanto o dinheiro não vem, os funcionários do museu tomam medidas preventivas para evitar uma tragédia como a do Museu Nacional. "Temos atitudes que a gente toma diariamente para mitigar esses riscos. Por exemplo, quando a gente encerra o expediente, deixa o prédio o menos energizado possível. A gente desliga todos os disjuntores, desliga tudo da tomada", conta André.

O museu fica aberto para visitação, de terça a a sexta das 09h00 às 12h00 e das 13h30 às 16h30. Sábado e domingo das 13h00 às 17h00. Em média, de 600 a 800 pessoas visitam o casarão, em busca de conhecer mais da nossa história e da nossa identidade, cada vez mais deixadas em segundo plano.