Alergia ou infecção? Pediatra explica o que observar quando a criança adoece com frequência

Ouça entrevista com o pediatra Rodrigo Aboudib

Publicado em 31/10/2026 às 10h13

Virose, alergia, criança doente. Crédito: Pexels

Nesta edição do "Vida Longa CBN", o assunto em destaque é a saúde das crianças. É comum que crianças, principalmente, nos primeiros anos de vida e após começarem a frequentar creches e escolas, apresentem episódios frequentes de doenças. Mas como saber quando essa recorrência faz parte do desenvolvimento infantil e quando é motivo de preocupação?

Segundo o pediatra Rodrigo Aboudib, a criança pode ter cerca de dez intercorrências por ano, conforme referência à Sociedade Brasileira de Pediatria citada pelo médico. Ele explica que é importante diferenciar infecções de quadros alérgicos, que podem provocar sintomas semelhantes aos de um resfriado.

A rinite alérgica, por exemplo, pode causar coriza, obstrução nasal, espirros e coceira. Por isso, os pais podem confundir as manifestações da alergia com uma gripe. De acordo com o especialista, a presença de febre pode ajudar a diferenciar os quadros, embora seja necessário observar outros sinais e avaliar cada caso.

Outro ponto importante é acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança. Para o pediatra, episódios recorrentes não significam necessariamente um problema de saúde, especialmente quando não prejudicam o desenvolvimento. Já situações que afetam o ganho de peso e altura ou levam a internações merecem atenção.

Além dos sintomas, os responsáveis devem observar como a criança se comporta. Segundo Aboudib, se ela apresenta febre, mas volta a brincar e se mostra ativa quando a temperatura diminui, é possível acompanhar a evolução e procurar o pediatra que já conhece seu histórico. Se estiver prostrada, a orientação é buscar atendimento médico.

O especialista também chama a atenção para a procura por serviços de urgência diante de qualquer sintoma. Como o profissional do pronto atendimento nem sempre conhece o histórico da criança, a avaliação pode ser feita sem o acompanhamento longitudinal que um pediatra de referência oferece. Na avaliação do médico, isso pode contribuir para diagnósticos equivocados e para a prescrição desnecessária de antibióticos.

Aboudib alerta que o uso excessivo desses medicamentos pode prejudicar a microbiota intestinal, formada por microrganismos que participam de processos importantes para o organismo. Por isso, a indicação de antibióticos deve ser feita após avaliação médica.

Entre os cuidados recomendados pelo pediatra estão manter a vacinação em dia, oferecer água regularmente e garantir uma alimentação variada, com frutas, verduras e legumes. O médico também questiona promessas de vitaminas e suplementos para aumentar a imunidade, afirmando que não há base científica adequada para garantir esse efeito de forma generalizada.

Na alimentação, ele orienta que as crianças façam as refeições com atenção, evitando o uso de telas, que podem distrair e favorecer o consumo exagerado de alimentos.

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