Combate à dor: os perigos da automedicação e os riscos da dor crônica
Ouça entrevista com o médico Leandro Miranda, especialista em Medicina da Dor

Dor crônica no joelho. Crédito: Pexels
Cerca de 40% dos adultos brasileiros convivem com dor crônica, segundo nota técnica do Ministério da Saúde de 2024. Entre as pessoas com 50 anos ou mais, o índice chega a 36,9% de relatos de dor recorrente, de acordo com estudo do ELSI-Brasil.
De acordo com a Sociedade Internacional para o Estudo da Dor (IASP), qualquer dor que dure mais de 3 meses é classificada como crônica. Diferente da dor aguda, a dor crônica raramente se resolve sozinha e costuma vir acompanhada de prejuízos mentais, privação de sono, sedentarismo, depressão e forte queda na produtividade. Por isso, o tratamento precisa ser multidisciplinar e de longo prazo, envolvendo médicos especialistas, fisioterapeutas, prática de exercícios, nutrição e cuidado com a saúde mental, por exemplo.
Por negligência no início do quadro ou por acreditar que o tratamento é apenas pontual, o paciente costuma ir à farmácia em busca de um alívio imediato ou aceita indicações de conhecidos. No entanto, o uso crônico dessas medicações pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico de doenças degenerativas tratáveis no início (artrose e a artrite), fazendo com que evoluam de estágios iniciais (grau 1) para quadros graves (grau 4) e de difícil reversão.
Segundo o médico Leandro Miranda, especialista em Medicina da Dor, o abuso de remédios pode provocar um "curto-circuito" no cérebro, tornando o próprio medicamento a causa principal do desconforto, como ocorre em quadros de enxaqueca por superexposição medicamentosa. Ouça a entrevista completa!