Estudo com mais de 7 mil brasileiros aponta relação entre alimentos e depressão

Ouça entrevista com o professor de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Ufes,  José Luiz Marques Rocha

Publicado em 12/09/2026 às 11h03

 alimentos . Crédito:

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde (PPGNS) da Ufes identificou que padrões de ingestão de nutrientes estão associados ao diagnóstico de depressão em adultos, indicando que a alimentação pode desempenhar papel relevante na saúde mental. O estudo analisou dados de 7.617 participantes, sendo 67,9% do sexo feminino e 32,1% do sexo masculino. Os resultados mostram que determinados perfis nutricionais podem tanto aumentar quanto reduzir a probabilidade da depressão.

O trabalho foi conduzido pelo mestre João Vitor dos Santos, orientado pelo professor José Luiz Marques Rocha, do PPGNS/Ufes, com base em informações coletadas em brasileiros das cinco regiões do Brasil entre os anos de 2016 e 2022. Dos participantes, 13,2% relataram diagnóstico de depressão, percentual semelhante ao observado em outros estudos nacionais.

Utilizando métodos estatísticos para identificar padrões de nutrientes, os pesquisadores encontraram dois perfis principais de consumo. Um deles, caracterizado pela ingestão de alimentos de origem animal, apresentou associação com maior chance de depressão. Um outro padrão, considerado anti-inflamatório – com ingestão de frutas, verduras, oleaginosas e grãos integrais, por exemplo, abacate, castanhas, aveia, legumes e hortaliças –, demonstrou um efeito protetor sobre os participantes do estudo, reduzindo em cerca de 25% a probabilidade de diagnóstico do transtorno.

Gorduras saudáveis

O padrão anti-inflamatório inclui maior consumo de gorduras saudáveis, como ácidos graxos poli-insaturados, ômega-6, lipídio, ômega-3 e ácidos graxos monoinsaturados, além de minerais como o selênio — nutrientes conhecidos por sua atuação no funcionamento do sistema nervoso.

Segundo os pesquisadores, dietas ricas em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios podem contribuir para a proteção da saúde mental, enquanto padrões alimentares com maior potencial inflamatório podem favorecer o desenvolvimento do transtorno depressivo. “Os resultados reforçam a ideia de que a alimentação deve ser analisada como um conjunto, e não apenas por nutrientes isolados”, afirma Santos.

O efeito protetor do padrão anti-inflamatório foi observado em diferentes grupos, incluindo mulheres, indivíduos com excesso de peso e pessoas sedentárias, sugerindo que a alimentação pode atuar como estratégia complementar mesmo na presença de outros fatores de risco.

Apesar das evidências, o professor Rocha destaca que o estudo não permite estabelecer relação de causa e efeito, mas aponta caminhos importantes para futuras investigações. “Os achados reforçam o papel da promoção de uma alimentação saudável como estratégia potencial na prevenção e no manejo da depressão”, afirmou.

A pesquisa foi divulgada como artigo na Revista Internacional de Ciências Alimentares e Nutrição. (Com informações da Ufes). 

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