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Juntos em casa: como observar se o pet sofre com doenças articulares

Confira as orientações da comentarista Tatiana Sacchi

Cachorro labrador
Cachorro labrador
Foto: Pixabay

No cenário de isolamento social e vivendo a quarentena também é importante que os tutores fiquem atentos à saúde dos seus pets. A comentarista Tatiana Sacchi, nesta edição do Clube Pet CBN, aponta que aproveitando que as pessoas estão mais em casa, perceber se seu animal sente dor ou tem algum tipo de dificuldade no dia a dia é mais do que importante, com destaque para os problemas articulares que atingem os cães e gatos. Ela explica que entre as principais doenças que acometem os pets estão a chamada displasia coxo-femoral nos cães de grande porte, hérnias de disco (em diferentes pontos da coluna) e alterações anatômicas ou traumas antigos de joelho, cotovelo e ombro. Confira:

As orientações:

Com o avanço da medicina veterinária os animais de estimação tiveram um aumento considerável na expectativa de vida e junto com o processo de envelhecimento, o desenvolvimento de doenças crônicas como as doenças osteo-articulares-neurológicas que cursam com dor crônica e com certeza estão entre as mais comuns.

Essas doenças associadas à dor crônica não costumam colocar a vida do animal em risco, mas diminuem muito a qualidade de vida dos nossos amigos caso não seja devidamente tratada e controlada, pois a dor crônica causa inúmeros prejuízos à saúde do animal, causando stress crônico e até o aparecimento de outras doenças.

Dentre as doenças osteo-articulares-neurológicas, as mais comuns são:

- Displasia coxo-femoral nos cães de grande porte;

- Hérnias de disco (em diferentes pontos da coluna) e síndrome da cauda equina – que ocorre quando há lesão nos discos intervertebrais que protegem as articulações da coluna ou compressão de raízes nervosas;

- Alterações anatômicas ou traumas antigos de joelho, cotovelo e ombro.

Essas doenças são degenerativas e muitas vezes decorrentes de fatores genéticos. Com a sua evolução ao longo do tempo, ocorrem os quadros de inflamação crônica que levam à dor em diferentes graus, artrose com desgaste, diminuição da lubrificação articular e proliferações ósseas (como os “bicos de papagaio” na coluna) e rupturas de ligamento, por exemplo.

Os animais são naturalmente “programados” para não demonstrar quando sentem dor, pois isso é uma demonstração de fraqueza e fragilidade para um possível predador o que costuma prejudicar a identificação dela. Com os gatos, esse comportamento tende a ser muito mais presente do que com cães, mas ocorre em qualquer espécie.

Com a evolução dos quadros, o animal pode apresentar uma série de sinais que podem ser sutis e até passarem despercebidos, mas que vão se agravando ao longo do tempo, tais como:

- Ficar mais quieto e interagir menos;

- Ficar irritado e/ou agressivo;

- Reclamar e chorar quando é pego de determinada maneira;

- Ter dificuldade de levantar de onde está deitado;

- Relutar em se exercitar, fazer coisas que antes gostava muito como pular no colo, buscar um brinquedo;

- Deixar de subir e descer de locais altos como camas e sofás, ou às vezes conseguir subir, mas não conseguir descer ou vice e versa;

- Poupar um dos membros quando está em estação, mancar de um ou mais membros, correr como “coelho”, tropeçar ao caminhar, ter tremores musculares, andar arqueado ou de pescoço baixo;

- Ter articulações rígidas e “crocantes” e/ou ter atrofia de musculatura na região afetada;

Todos esses sinais tendem a se agravar pela manhã quando o corpo está frio e em épocas de inverno/frio. Lembrando que, apesar dessas alterações serem mais comuns nos animais de idade, alguns animais podem apresentá-las desde muito jovens, como no caso de cães com displasia coxo-femoral grave.

Os objetivos do tratamento, que é multifatorial, são diminuir ou eliminar a dor e melhorar a mobilidade, melhorando assim a qualidade de vida e vai depender da doença que o animal apresenta.

- Tratamento clínico com uso de anti-inflamatórios, analgésicos e suplementos que melhoram a dor, a mobilidade e a lubrificação articular;

- Cirúrgico em alguns casos de hérnia de disco ou ruptura de ligamento;

- Fisioterapia, acupuntura, ozonioterapia, quiropraxia e manipulação, outras técnicas complementares;

- Manejo do animal em casa - dormir em ambiente aquecido e confortável, proteger as articulações de traumas, não deixá-los em pisos lisos e escorregadios, manter as unhas cortadas, e tudo que evite quedas e escorregões.

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