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Rainha das uvas tintas: saiba tudo sobre a Cabernet Sauvignon

Ouça as explicações de Luiz Cola

A Cabernet Sauvignon é destaque no Minuto do Vinho, na série sobre castas de uvas
A Cabernet Sauvignon é destaque no Minuto do Vinho, na série sobre castas de uvas
Foto: Pixabay

Nesta edição do Minuto do Vinho, Luiz Cola aborda as características e curiosidades da Cabernet Sauvignon, na série sobre castas de uvas. "A rainha das tintas, a Cabernet Sauvignon é uma uva democrática e está presente em quase todos os países produtores de vinhos", conta o comentarista. Ouça!

 

Saiba mais:

Chamada de rainha das uvas, a Cabernet Sauvignon (CS) está em toda parte. Amada por muitos e, certo modo, odiada por outros, ela está presente na quase totalidade dos países produtores: da Inglaterra à Alemanha; da China à Turquia, do Brasil ao Marrocos, sem falar na França, EUA, Chile, Austrália, Itália, Portugal, Argentina, Espanha, Uruguai, África do Sul, Nova Zelândia.

Existia muita especulação em torno da origem da casta, mas a ciência acabou com os mitos em 1997. Testes de DNA foram conclusivos ao afirmar que a CS é um cruzamento da Cabernet Franc com a Sauvignon Blanc. O que parece bem lógico, além do nome sugerir sua origem, os aromas de frutas vermelhas da CS lembram a Cabernet Franc e os de ervas frescas nos remetem facilmente à Sauvignon Blanc.

A CS é simplesmente a principal casta da principal região produtora de vinhos do mundo: Bordeaux. Nos últimos 50 anos, ela passou a servir de modelo de sucesso para as jovens regiões produtoras de vinhos, criando aquilo que chamamos hoje de "padrão Bordeaux". Isso também se deve ao fato da CS possui grande adaptabilidade aos mais diversos climas e terrenos. Desde que não seja frio demais (já que ela é de maturação tardia), a CS contribui para a produção de ótimos vinhos numa extensa gama de terroirs.

A casta funciona como ótima ferramenta de marketing, abrindo caminho para outras variedades de uma vinícola. Um caso clássico é o de Angelo Gaja, que disse ter criado o rótulo Darmagi (que vergonha, no dialeto piemontês) com Cabernet Sauvignon, visando penetrar em alguns mercados no qual depois venderia seus Barbarescos.

Qualidades:

- Ótima capacidade de evolução na garrafa, ganhando complexidade,

- Resistente a maioria das pragas e costuma apresentar um bom rendimento por hectare,

- Funciona muito bem em cortes/blends com outras uvas, como por exemplo, em Bordeaux;

- Gera vinhos de grande vigor e longevidade,

- Adapta-se bem ao amadurecimento em barricas de carvalho.

- Tem caráter marcante, facilmente identificável, mesmo em cortes, pois seus aromas e sabores sempre se destacam, mesmo em menor proporção na mescla.

A CS, geralmente, amadurece duas semanas depois da Cabernet Franc e da Merlot e precisa de calor. Caso contrário, seu amadurecimento não será o ideal e, possivelmente, seus vinhos trarão aromas verdes e herbáceos lembrando pimentão verde, podendo ser exagerados e desagradáveis. A causa deste aroma é a Pirazina, substância presente nas uvas e que é destruída pela luz do sol.

Se por um lado a CS precisa de algum calor, por outro, as temperaturas elevadas demais podem "cozinhar" as uvas e fazer o vinho ganhar aromas de geléias e perder acidez, tornando-se pastoso. O equilíbrio entre o verdor e a geléia - com uvas de boa maturidade e vinhos estruturados, mas com frescor, como os melhores Bordeaux - é resultado almejado pela maioria dos produtores.

O aroma típico da CS lembra cassis, amoras, cerejas, ameixas, menta e eucalipto. Grafite, cedro e tabaco podem aparecer com a idade. Já os tostados, baunilha, café e caramelo, estão ligados ao amadurecimento em carvalho. O típico pimentão verde, como já mencionado, vem das uvas não muito maduras, o que os enólogos tentam evitar.

França (Bordeaux)

Em poucos lugares a CS fica boa pura, geralmente, é melhor em cortes, e é assim na Meca da toda-poderosa: Bordeaux. A uva em questão só despontou no oeste francês depois da praga da Filoxera, no final do século XIX. Hoje, a região é a líder mundial em área plantada de CS, com cerca de 30 mil hectares de vinhedos e está no topo do pódio da qualidade em vinhos elaborados com esta casta. Os grandes ícones da margem esquerda, Châteaux Latour, Lafite, Margaux, Mouton e Haut Brion, são elaborados com predomínio de CS, mas também com proporções variáveis das outras uvas da região que são: Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Malbec e Carmenérè.

Itália (Toscana)

Quando apareceu, na Toscana, a CS causou a revolução dos Supertoscanos, que suscitou amor e ódio. Em 1971, o importante produtor marquês Piero Antinori fez a primeira colheita de seu vinho Tignanello bem no meio da região do Chianti Clássico com 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Cabernet Franc misturadas à principal casta local, a Sangiovese, o que era uma heresia para alguns.

Espanha (Catalunha)

O Vega Sicilia Único, o mais prestigiado vinho da Penísula Ibérica, nascido na Ribera del Duero, conta com Cabernet Sauvignon em seu corte, mas é um tinto da Catalunha, o Torres Mas la Plana, feito 100% com CS, que se tornou o ícone dessa casta no país. Numa degustação realizada em Paris (1979), o Mas La Plana venceu vários tintos franceses elaborados com a CS (incluindo alguns dos mais célebres tintos de Bordeaux). Outro destaque da Península Ibérica é o português Quinta da Bacalhôa, elaborado em Setúbal, nos arredores de Lisboa.

Novo Mundo

A supremacia em CS no Novo Mundo são os EUA. A Califórnia, com cerca de 26 mil hectares, perde apenas para Bordeaux em área plantada. No quesito qualidade pode se dizer a mesma coisa. Depois de Bordeaux, a Califórnia é a região que reúne a maior coleção de CS de altíssima qualidade (e altíssimo preço).

Embora a Carmenérè seja a uva emblemática do Chile, é a CS que gera a maioria dos grandes vinhos do país. Os 21 mil hectares de CS plantados ali confirmam a boa adaptação desta casta em várias regiões como Maipo, estilo clássico e encorpado; Curico, mais macios e com taninos doces; Colchagua, de acidez mais moderada, taninos macios e fruta doce; Aconcagua, estruturados, mas com taninos doces.

Atual prefeito e ex-prefeito lideram as intenções de voto na eleição 2020 na cidade canela-verde. Max Filho e Neucimar também são, no entanto, os mais rejeitados

 

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