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Sul do ES: declive, ocupação e falta de vegetação agravam efeitos da chuva

Entenda a influência das bacias hidrográficas nas enchentes

Destruição em Iconha após as chuvas
Destruição em Iconha após as chuvas
Foto: Fernando Madeira

A força da chuva que atingiu o Sul do Espírito Santo, desde a última sexta-feira (17), deixou rastros de destruição em cidades como Iconha e Alfredo Chaves. Um estudo organizado por professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em 2015, abordou a temática das características morfométricas da bacia hidrográfica do rio Benevente nas enchentes no município de Alfredo Chaves.

Em entrevista à Rádio CBN Vitória, o professor Demetrius David da Silva, titular da UFV e especialista em Recursos Hídricos e Meio Ambiente, explica que entre as principais características da região de Alfredo Chaves, se aponta no levantamento o "acelerado processo de ocupação do solo, nascentes e cursos d'água desprovidos de mata ciliar, processos erosivos decorrentes do uso de encostas para plantio, lançamentos de efluentes e resíduos sólidos nos cursos d'água". Além disso, os elevados valores de declividade do rio principal e de declividade da bacia, decorrentes da grande variação de altitude na bacia do rio Benevente, assim como dos expressivos valores de densidade de drenagem, são os principais causadores das enchentes do município de Alfredo Chaves.

"Destaca-se, ainda, que na região ocorrem maiores índices pluviométricos do que em outras regiões do estado, decorrente da maior propensão à ocorrência de chuvas orográficas, potencializando ainda mais a ocorrência do escoamento superficial e, consequentemente, os picos de enchentes", aponta o estudo.

Foto aérea da cidade de Iconha após as chuvas da última sexta-feira (17).
Foto aérea da cidade de Iconha após as chuvas da última sexta-feira (17).
Foto: Foto do leitor/Lucas Knupp

Professor Demetrius explica a dinâmica da região e alerta sobre o risco da ocupação das margens do rio e também da falta de cobertura de vegetação.

"A característica dessa região de Alfredo Chaves é muito semelhante à Vargem Alta e à Iconha. E isso faz com que tenhamos, naturalmente, uma propensão a enchentes nesses locais. Claro que existem agravantes, mas essas regiões tem uma declividade muito grande da bacia hidrográfica. Para se ter ideia, na região de Alfredo Chaves, temos 74% da área de drenagem temos relevos de 45% a 75% de declividade. Isso é muito forte. Consequentemente, quando temos a chuva, associada a um problema de degradação, com ocupação e uso do solo de forma inadequada na área rural e também na área urbana, ao invés da água infiltrar no solo, ela acaba escoando pela bacia, correndo superficialmente. E é lógico: a água escorre pela força da gravidade, do local mais alto para o mais baixo. E nessas áreas há uma concentração rapidamente, que provoca uma onda forte e os estragos que estamos vendo recentemente", diz.

Ouça a entrevista completa:

 

 

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