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Conheça o julgamento dos quesitos do Carnaval de Vitória

Nove quesitos serão avaliados: Bateria, Samba Enredo, Evolução, Harmonia, Enredo, Alegorias e Adereços, Fantasias, Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Imagem capturada por drone do segundo dia de desfiles do Carnaval de Vitória 2018
Imagem capturada por drone do segundo dia de desfiles do Carnaval de Vitória 2018
Foto: Secundo Rezende

As escolas de samba que vão desfilar neste sábado (15) no Grupo Especial do Carnaval de Vitória serão avaliadas por 27 jurados. Criteriosamente, eles vão ficar atentos a nove quesitos:Bateria, Samba Enredo, Evolução, Harmonia, Enredo, Alegorias e Adereços, Fantasias, Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. O jornalista e cronista de carnaval Jace Teodoro explica cada um deles. Acompanhe!

O regulamento deve ser praticamente o mesmo de 2019. Serão três avaliadores para cada item. Eles darão notas que variam de 9 a 10, com possibilidade de fracionamento, tipo 9,1, 9,5, 9,7... Cada jurado precisa justificar suas avaliações abaixo de 10 em uma espécie de caderno de encargos, que deve ser preenchido e entregue a uma comissão no final de cada dia de desfile.

Para 2020, foi usado um novo critério para a escolha dos membros da comissão julgadora. "Nossa ideia é atender os pedidos de todas as agremiações. Portanto, a comissão será mista. Um terço dos escolhidos virá do Rio de Janeiro. São pessoas com experiência no mundo do samba, já acostumadas com o carnaval", adianta Edvaldo Teixeira da Silveira, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge). O restante da mesa será composta por 18 avaliadores capixabas que participaram do Carnaval 2019.

CONHEÇA OS DETALHES DE CADA QUESITO

 

 

BATERIA

É o "coração" de uma escola de samba. Na hora de dar notas, o julgador precisa avaliar a sustentação dos instrumentos, além de considerar a perfeita conjugação dos sons emitidos, a criatividade e a versatilidade dos instrumentistas. Lembrando que a bateria precisa ter, no mínimo, 100 instrumentistas. Não vale desafinar e "atravessar" o samba na avenida.

SAMBA ENREDO

O jurado precisa avaliar a letra e a melodia. A adequação da letra ao enredo, sua riqueza poética, beleza e bom gosto, além do perfeito entrosamento dos versos com os desenhos melódicos, devem ser observados. Um bom samba enredo precisa ter rimas ricas e um refrão de fácil acesso, tanto para o público da arquibancada como para os seus componentes.

HARMONIA

Esse é um dos quesitos mais interpretativos do carnaval. É necessário observar se os membros estão (literalmente) cantando o samba. Sim, não cantar durante o desfile tira pontos preciosos na disputa pelo título. O canto dos componentes deve estar em sintonia com a voz do "Puxador", o intérprete que leva a música para a avenida.

EVOLUÇÃO

Outro quesito polêmico e que costuma decidir muitos carnavais. É uma espécie de harmonia da dança em sintonia com o ritmo do samba. A coesão do desfile é julgado com rigor. Ou seja: é proibido correr ou mesmo deixar "buracos" durante a apresentação. Além disso, as alas precisam respeitar a ordem proposta no início da apresentação.

ENREDO

Há dois quesitos em julgamento: concepção e realização. É importante averiguar se a escola está apresentando o desfile proposto, ou seja: desenvolvendo e explorando a história que deseja contar. A clareza e a coerência na roteirização do desfile, incluindo adequação das fantasias e alegorias, deve ser avaliado com rigor. Um exemplo: não adianta desenvolver uma história sobre a abolição da escravatura usando alienígenas como destaque nas alas.

ALEGORIAS E ADEREÇOS

É o luxo e a beleza dos carros alegóricos e dos elementos cenográficos. A concepção e a realização devem ser julgados. Lembrando que nesse quesito entram também os tripés e seguimentos sem rodas. É preciso observar o acabamento, a harmonia de cores e se os elementos estão seguindo a ordem enviada para os jurados em livro prévio, o chamado Abre-Alas. A adequação ao enredo é primordial. Os destaques, com suas respectivas fantasias, devem ser julgados como partes integrantes das alegorias. No Estado, cada escola precisa apresentar no mínimo três e no máximo quatro elementos alegóricos.

FANTASIAS

Aqui, a concepção e realização também devem ser julgados. A adequação das fantasias ao enredo é primordial. O mosaico impulsionado pelas formas e cores costuma impressionar os jurados. O acabamento e cuidado na confecção ganham pontos. É preciso apresentar roupas leves, que não atrapalhem a evolução dos componentes. Roupas rasgadas e faltando elementos, como chapéus e sapatos, levam penalização à escola.

COMISSÃO DE FRENTE

É o cartão de visitas de uma escola de samba. Poderá se apresentar a pé ou sobre rodas, trajando fantasias dentro da proposta do enredo. Nos tempos "clássicos" do carnaval (ou seja, até o início da década de 1980), agremiações tradicionais como Portela, Mangueira e Império Serrano tinham como hábito trazer a velha guarda em suas comissões. Hoje, o quesito virou um espetáculo à parte do carnaval, com shows de pirotecnia e movimentos acrobáticos e ilusionistas. Quem "manda" agora são os bailarinos e coreógrafos.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Representam a nobreza do carnaval, pois levam o pavilhão e o manto sagrado de uma escola de samba para a avenida. O julgador deverá considerar a indumentária, verificando sua adequação para a dança, não esquecendo de avaliar a beleza e o bom gosto. A exibição de dança é considerada e a bandeira não pode enrolar ou encostar no mestre-sala. Se um dos componentes cair, a escola perde a chance de ganhar o título. Lembrando que o mestre-sala e a porta-bandeira não “sambam” e sim executam um bailado de características próprias.

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