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ES já registrou quatro tremores em 2020; geóloga explica fenômeno

A doutora em Geologia e professora do Departamento de Geografia da Ufes, Luiza Bricalli, explicou a ocorrência de tremores no território capixaba

O sismo em Vitória (ES) teve magnitude 1.9 e ocorreu na quinta, 02 de julho, às 13:24
O sismo em Vitória (ES) teve magnitude 1.9 e ocorreu na quinta, 02 de julho, às 13:24
Foto: Centro de Sismologia da USP

O cenário de tranquilidade tectônica do solo brasileiro tem sido substituído, nos últimos meses, por diversos registros de tremores de terra em todo o país. Somente no Espírito Santo, em 2020, quatro tremores já foram registrados, com epicentros em Ecoporanga, Aracruz, Presidente Kennedy e Vitória. Em entrevista ao CBN Cotidiano, a doutora em Geologia e professora do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luiza Bricalli, explica o fenômeno, que não se restringe ao Estado mas também já ocorreu principalmente na região Nordeste. Ela salienta: "ao contrário do que muitos pensavam, o nosso país não está totalmente isento desse fenômeno”. Ouça!

“É importante salientar que o Nordeste é a região sismicamente mais ativa do país, pois as falhas da região são muito ativas e causam acúmulo de estresse e liberação na forma de evento sísmico. Em outros locais do país, a reativação é um pouco diferente, apesar de também existirem falhas geológicas reativadas, assim como ocorre aqui no estado, por exemplo”, explica Luiza. A professora ressalta que, no Espírito Santo, podem acontecer terremotos como os que vêm sendo sentidos na região Nordeste do Brasil. Ela lembra que, no dia 1º de março de 1955, Vitória foi centro de um terremoto com magnitude 6.1, o qual foi considerado o segundo maior terremoto registrado do Brasil.

Além disso, continua a pesquisadora: “é importante mencionar a existência de falhas neotectônicas em território capixaba, como comprovado em minha tese de doutorado sobre Padrões de Lineamentos e Fraturamento Neotectônico no Estado do Espírito Santo (Sudeste do Brasil), que podem ser muito ativas e causarem acúmulo de estresses e liberação na forma de evento sísmico”. No Espírito Santo, segundo Luiza Bricalli, os terremotos são registrados desde 1767 e já ocorreram na maioria dos municípios.

LABORATÓRIO NA UFES

O Laboratório de Neotectônica e Sismológico (Lanesi), coordenado pela professora, já catalogou 40 terremotos no Espírito Santo, com detalhamento de dia, local, epicentro e magnitude. As pesquisas realizadas no laboratório procuram analisar a existência de algum padrão de ocorrência desses tremores de acordo com o arcabouço estrutural, tipos de rochas e zonas fraturadas, além de relacionar os locais de ocorrência dos abalos com os locais que apresentam maior densidade de fraturamento da crosta terrestre e os locais com presença de falhas neotectônicas.

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