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Estudo analisa ligação entre mortes pela Covid-19 e a poluição do ar

Ouça entrevista com o médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), Paulo Saldiva

A poluição do ar que faz parte da vida das grandes cidades pode ter relação com os óbitos pela covid-19. É o que aponta um estudo conduzido por oito pesquisadores americanos sobre a mortalidade da doença. O trabalho, divulgado em 11 de setembro, reforça conclusões pioneiras de pesquisadores italianos e chineses durante o pico da pandemia no norte da Itália e na China, mostrando que a exposição contínua à poluição do ar poderia se constituir em risco de sintomas graves em caso de infecção pela doença e consequente mortalidade por Síndrome Aguda Respiratória.

Em entrevista à rádio CBN Vitória nesta quarta-feira (23), o médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), Paulo Saldiva, explica que a poluição provoca danos diretamente nos cílios do pulmão, expondo o sistema respiratório a agentes infecciosos.

Presentes nas células que revestem as vias aéreas, os cílios impelem o muco que recobre essas vias, para ser expelido por tosse ou levado à boca para ser engolido ou expelido. O muco captura micro-organismos infecciosos e partículas, evitando que cheguem aos pulmões. Na segunda hipótese, o impacto é indireto, causado pelo agravamento de doenças cardiorrespiratórias preexistentes, o que reduz a imunidade e acelera dificuldades causadas pela covid-19. Para o professor, o estudo ajuda a consolidar o conceito de que a exposição crônica a poluentes atmosféricos reduz a eficiência dos mecanismos de defesa do pulmão.

 

 

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