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Fatores genéticos tem relação com resposta a covid, reforça estudo

A professora da USP, Mayana Zatz, entrevistada desta segunda-feira (14) do CBN Cotidiano, deu detalhes da pesquisa

Pesquisa da USP relaciona genética do indivíduo com sua vulnerabilidade ao novo coronavírus
Pesquisa da USP relaciona genética do indivíduo com sua vulnerabilidade ao novo coronavírus
Foto: Pete Linforth/Pixabay

Resultados de uma pesquisa em andamento no Centro de Estudo do Genoma Humano e de Células-Tronco  da USP (CEH-CEL) sinalizam a participação de fatores genéticos na determinação da suscetibilidade ou resistência ao novo coronavírus. Os pesquisadores já coletaram, por exemplo, amostras biológicas e informações de oito pares de gêmeos infectados pela covid-19. Em entrevista ao CBN Cotidiano, a professora titular de Genética e diretora do Centro de Pesquisas, doutora Mayana Zatz, apresentou detalhes da pesquisa. Ouça!

No estudo, foi identificado que no grupo dos irmãos monozigóticos (originados a partir de um mesmo óvulo que se dividiu), quatro dos cinco pares responderam de forma idêntica à doença. Já entre os irmãos dizigóticos (formados a partir de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes), os três pares apresentaram respostas diferentes à infecção. “Queremos explicar o caso de pacientes jovens com formas letais da covid-19 e idosos ‘resistentes’. Resolvemos pesquisar os dois extremos. Jovens que devem ter variantes genéticas de risco e idosos que são assintomáticos ou tiveram poucos sintomas e, portanto, devem ter variantes genéticas de proteção”, explicou Zatz.

Os primeiros casos que chamaram a atenção do grupo, segundo a doutora, foram de casais em que o homem teve a forma grave da doença e a mulher testou negativo para o vírus. Um dos voluntários, de 72 anos, chegou a ficar duas semanas internado na UTI. “A esposa e a mãe, de 98 anos [que vive com o casal], não tiveram absolutamente nada”, disse. Há 85 casos de casais chamados discordantes, em que um foi afetado pela doença e o outro não. As mulheres compõem 70% dos assintomáticos na pesquisa, um dado compatível com estudos internacionais que vêm mostrando a maior suscetibilidade dos homens à doença.

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