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Conheça as barreiras invisíveis para as mulheres se elegerem

O que falta para garantir representação feminina na política?

Mulheres nas eleições
Mulheres nas eleições
Foto: Reprodução/Site paraibadebate

Mesmo sendo maioria na população brasileira - 51,8% dos 212 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - as mulheres ainda são sub-representadas na política. Segundo o Mapa Mulheres na Política 2019, um relatório da Organização das Nações Unidas, o Brasil ocupa a posição 134 de 193 países pesquisados no ranking de representatividade feminina no Parlamento.

Nas eleições municipais deste ano, aqui no Espírito Santo, o número de mulheres candidatas é 50% menor ante ao número de homens. Segundo a pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Beatriz Sanchez, a ausência feminina nos espaços de poder vai muito além da falta de interesse: existem barreiras estruturais impostas pela sociedade que precisam ser superadas. Quais barreiras são essas?

Ela explica em entrevista à CBN Vitória. Acompanhe!

 

"A barreira já começa dentro dos partidos políticos, que são comandados majoritariamente por homens, e que decidem, portanto, privilegiar candidaturas masculinas e conceder aos homens a maior parte do financiamento das campanhas", explica Sanchez. Para a pesquisadora, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar 30% do dinheiro do financiamento eleitoral às mulheres já foi um avanço, mas muitos partidos não cumprem, e ainda são necessárias mais medidas institucionais para garantir a representação feminina. "Não podemos esperar acabar com o machismo pra ter mais mulheres na politica. Os Três Poderes precisam criar mais meios para dar garantia que isso aconteça".

Já um fenômeno comum na política é a colocação de mulheres em cargos de vice, como é o caso do próprio Espírito Santo.

"Isso acontece muito porque o partido quer assinalar para o eleitorado feminino que acha a representação da mulher importante. Mas por quê ela é colocada em um cargo secundário? Há ainda a questão de que quando você coloca uma mulher como vice, entra para a cota dos 30%, então muitos partidos usam esse artifício como jogada para maquiar os números", afirma Beatriz Sanchez.

Para mudar o cenário atual, a doutoranda em Ciência Política apontou que, além da importância de conscientizar o eleitorado, é preciso trazer as medidas legais. Aumentar a cota de financiamento de campanhas femininas, criar leis de paridade de gênero para as cadeiras do legislativo e promover cursos de formação política para candidatas seria uma forma de reverter o quadro de sub-representação das mulheres na política.

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