Notícia

Faturamento de taxistas dobra em Vitória com greve dos rodoviários

Na Rodoviária de Vitória, por exemplo, foi preciso recorrer aos municípios vizinhos para suprir a demanda dos passageiros

Com a greve dos rodoviários, que paralisou 100% da frota dos coletivos nesta segunda-feira (09) e mantém a frota reduzida nesta terça-feira (10), quem vem lucrando são os taxistas. A demanda por táxis na Grande Vitória aumentou mais de 40%, segundo informações do sindicato dos Taxistas, que estima ainda que o faturamento tenha dobrado. 

 


A segunda-feira atípica fez com que os motoristas não parassem nos pontos de táxi. Na Praça Getúlio Vargas, no Centro da Capital, por exemplo, era difícil conseguir um carro. Trabalhando no local há 20 anos, Osvaldo Acervi, 68 anos, contou que nunca tinha feito tantas corridas em um único dia.

"Ontem não deu para ficar parado, não. Não deu se quer para desligar o motor do carro. Eu consegui fazer 21 viagens, em vários lugares, pra tudo quanto é lugar eu fui ontem. Normalmente, quando está todo mundo trabalhando dá umas 12 viagens por dia. Primeira vez que aconteceu isso, fiquei até assustado, todo lugar que a gente ia você pegava uma corrida tinha mais umas 30 corridas, e não podia pegar, chegava a fazer fila", lembrou.

Na Rodoviária de Vitória a demanda por táxi também aumentou significativamente. O fiscal de transportes do local, Henry Alberto de Lima Wyatt, precisou recorrer aos municípios vizinhos para suprir a demanda dos passageiros que chegavam de viagem.

"Ontem a manhã inteira, fiquei aqui das 4h30 às 12h, a fila sempre aumentava. Até lotação tive que fazer ontem para o pessoal chegar em casa. Ontem não tinha táxi em lugar algum, todo mundo ligava para mim, eu ligava para os pontos, até carro de outro município Cariacica, Vila Velha estava passando aqui para pegar passageiro por causa da falta de táxi", contou.

Mesmo na manhã dessa terça-feira (10), com os rodoviários cumprindo a medida cautelar obtida pelo Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) junto à Justiça do Trabalho, e que garante a circulação de 70% dos coletivos em horários de pico (entre 6h e 9h, e 17 e 20h) e 40% nos demais horários, alguns passageiros optaram pelo táxi.

É o caso do engenheiro Ricardo Carvalho, 35 anos, que chegava de viagem e precisava ir para o trabalho na Serra. "Eu fiquei sabendo no ônibus que ia continuar a greve, vi até que têm alguns ônibus rodando, mas fiquei preocupado de chegar muito atrasado no trabalho", afirmou.

A categoria manteve a greve nesta terça-feira após a audiência de conciliação com o GVBus, no Tribunal Regional do Trabalho, ter acabado sem acordo. Os grevistas concordam em encerrar a greve, desde que o sindicato patronal aceite incluir mais de uma operadora de plano de saúde em um acordo firmado no final do ano passado. Já o GVBus só admite rediscutir as cláusulas em novembro, na data-base da categoria, sob alegação de que a rescisão do contrato com a atual operadora - com vigência de 12 meses - implicará em uma multa milionária.

Devido a greve, a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) montou um esquema para a frota do Transcol atender aos percentuais determinados pela Justiça. A prioridade é das linhas troncais, que fazem a ligação entre os terminais de integração. Cinquenta e sete linhas alimentadoras deixarão de circular durante o movimento grevista, assim como todas as linhas expressas, exceto a linha 519 (T. Carapina / T. Ibes, via Reta da Penha – Expresso).