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Pesquisa mostra que 38% da população infantil do Estado tem excesso de peso

As informações fazem parte de uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Incentivo ao Peso Saudável Infantil (GIPSI) da Santa Casa da Misericórdia

Pelo menos 38% da população infantil do Espírito Santo possui excesso de peso. Desse total, 12% estão com sobrepeso e o restante já apresenta obesidade. Os dados ficam ainda mais preocupantes: boa parte delas já apresentam risco de desenvolverem doenças crônicas na vida adulta. As informações fazem parte de uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Incentivo ao Peso Saudável Infantil (GIPSI) da Santa Casa da Misericórdia, que ouviu 818 meninas e meninos de escolas públicas no Estado, com idades entre 6 a 14 anos.

Do total de estudantes analisados durante a pesquisa, 200 coletaram sangue. Apenas um apresentou resultados regulares, em todos os outros houve alterações. Entre os principais problemas apontados estão o colestrerol aumentado, hipertensão e o excesso de insulina, que são fatores de risco cardiovascular. A endocrinologista pediátrica e membro do GIPSI, Cristina Cruz Hegner, apontou os problemas que isso causa do desenvolvimento da criança e adolescente.

"Os riscos são os piores possíveis. Sabemos que grande parte dessas crianças que apresentam obesidade ou sobrepeso já na infância, são pessoas que tem risco cardiovasculares importantes. Ou seja, elas estão em desenvolvimento dessas doenças para a vida adulta, que é o infarto, o avc, angina, hipertensão, diabetes tipo 2. Os riscos são apavorantes", apontou.

Essas crianças, alerta Cristina, também apresentam riscos emocionais. Tratam-se de crianças que sofrem bullying, o que acaba desencadeando dificuldades escolares e até a depressão infantil e a necessidade de acompanhamento psicológico. Fora os riscos ortopédicos causados pelo excesso de peso, como os problemas articulares, problemas de angulação, dores de forma geral, no pé e membros inferiores.

De uma forma geral, os causadores da obesidade na infância são fatores externos: a má alimentação associada ao sedentarismo. São crianças que já necessitam de medicação para pressão, prevenção de diabetes e taxa de colesterol, segundo Cristina. "Essas crianças acabam não realizando atividade física regular. São crianças que passam muito tempo em frente as telas, como televisão, tablet, computador, telefone celular. São crianças que já não brincam nas ruas", ponderou.

Entre os principais erros alimentares apontados pela endocrinologista estão a alta ingestão de calorias, doce, a troca de uma refeição por fast-food. Para reverter a situação, a especialista aponta que é preciso uma mudança de cultura em diversos âmbitos, desde a familiar até escolar.

Cristina alertou que como algumas escolas oferecem almoço ao invés de um lanche no horário do recreio, a criança acaba tendo três refeições hipercalóricas no dia, contando o almoço e a janta em casa. As crianças que apresentaram excesso de peso foram encaminhadas para o GIPSI para tratamento.

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