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Justiça determina afastamento de diretores de hospital de Vitória

Justiça determinou o afastamento de 21 pessoas dos cargos de direção sob pena de multa diária de R$ 1 mil para cada um que descumprir a decisão

A novela envolvendo a administração do Hospital da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo continua. Na última segunda-feira (7), a justiça determinou o afastamento de 21 pessoas dos cargos de direção sob pena de multa diária de R$ 1 mil para cada um que descumprir a decisão da juíza Trícia Navarro Xavier Cabral, da 1ª Vara Cível de Vitória. A ação judicial foi oferecida por membros da associação.

Os associados entendem que há um quadro de irregularidades acontecendo na entidade. Por conta disso, no mês de junho foi decidido, em assembleia da associação, o afastamento da atual diretoria e a eleição de uma Junta Diretiva e Interventiva que passaria a administrar a instituição. No entanto, a decisão da assembleia não foi acatada pelos diretores, o que motivou a ação judicial.

O advogado que representa os membros dessa Junta, Alexandre Rossoni, afirma que o hospital tem problemas graves. “Isso perdura por muitos anos. Lá, faltam atendimento aos associados, médicos, outros profissionais de saúde. Enfim, são dezenas de problemas que não se resolvem há cerca de cinco anos ou mais”, disse.

Segundo o advogado, os membros da Junta que deve assumir a administração não conseguem ter acesso ao hospital. “Um dos motivos que fundamentaram essa ação foi a não oportunidade das pessoas terem acesso ao hospital. Então, a gente não consegue nem saber o que tem ou não. As notícias que temos são péssimas em relação à parte estrutural”, comentou.

Alexandre Rossoni disse que, assim que a Junta Interventiva e Diretiva conseguir assumir a administração, serão feitas uma auditorias e perícias para avaliar os possíveis danos. Segundo o advogado, todos os atos serão comunicados aos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho e ao Tribunal Regional do Trabalho.

Recentemente, o deputado estadual Almir Vieira foi apontado como membro de uma organização criminosa que teria desviado R$ 1,5 milhão da associação. Ele foi presidente da entidade entre 2013 e 2014. Na ocasião da acusação feita pela procuradoria regional eleitoral, o parlamentar negou envolvimento em atos ilícitos.

A associação também está envolvido em problemas trabalhistas. Na última semana, uma decisão judicial determinou outra intervenção na administração do hospital. No entanto, a intervenção foi suspensa pela Tribunal Regional do Trabalho.

De acordo com o advogado José Carlos Rizk Filho, que representa pessoas que foram demitidas, existem cerca de 200 processos trabalhistas contra o hospital. Ainda de acordo com ele, os cálculos da dívida trabalhista ainda não foram apresentados pelo judiciário. No entanto, ele avalia que esses débitos fiquem entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões.

O diretor do Hospital da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo, Gustavo Stefenoni, foi procurado por telefone para se posicionar a respeito da decisão judicial da 1ª Vara Cível de Vitória, mas não atendeu as ligações.

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