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Novo São Lucas não completou um ano e já registra superlotação

Sem leitos de internação, pacientes recebem atendimento nos corredores e em cadeiras. A direção do hospital confirmou o problema. Atualmente há 70 pacientes aguardando vaga de internação

Superlotação no São Lucas
Superlotação no São Lucas
Foto: Patrícia Scalzer

Oito meses após a abertura da urgência e emergência do Novo Hospital São Lucas, a unidade já enfrenta um antigo problema dos hospitais públicos da Grande Vitória: a superlotação. Sem leitos de internação, pacientes recebem atendimento nos corredores e em cadeiras. A direção do hospital confirmou o problema, mas destacou que nenhum paciente deixou de ser atendido na unidade, que atualmente tem 70 pacientes aguardando vaga de internação.

A cabeleireira Gilsilene de Souza está com a cunhada internada no Novo São Lucas. Ela destacou que há muitas pessoas nos corredores, inclusive, esperando por cirurgias neurológicas. “Os pacientes estão em macas nos corredores. Alguns chegam e ficam sentados em cadeiras de rodas, sendo medicados nas cadeiras porque não têm maca para todo mundo”, contou.

Por conta do grande número de pacientes, as medicações não estão sendo administradas no horário correto, segundo Gilsilene. “Eles estão com muitos pacientes, por isso, não estão dando conta de fazer a medicação no horário certo. Isso eu ouvi de um enfermeiro chefe, dando explicação para um paciente que foi brigar por causa de uma medicamento atrasado. Ele disse que por causa da demanda não consegue atender todo mundo dentro dos horários”, disse.

Referência em trauma, os acidentes de trânsito contribuem para o grande número de pacientes que dão entrada na urgência e emergência. De acordo com a diretoria técnica do Hospital Estadual São Lucas, Simone Tozi, somente nesta sexta-feira (11), várias cirurgias de urgência foram realizadas. “Só hoje nós realizamos cinco cirurgias de emergência de paciente vítimas de acidentes de trânsito. São demandas que não temos como ter controle delas. Nos finais de semana piora mais por causa dos acidentes”, contou.

Segundo a diretora técnica, o hospital atende em média 130 pacientes diariamente, mas há três dias esse número aumentou para 160, o que provocou essa superlotação. Entretanto, ela destaca que todos os paciente que chegam no hospital são bem atendidos, o problema é apenas na internação. “O paciente que chega na emergência tem atendimento garantido com cirurgiões, centro-cirúrgico, medicação, só que hoje não temos estrutura física para mais leitos de retaguarda”, contou.

A informação foi confirmada pela dona de casa Aline Marvila, que está com a sogra internada por conta de um AVC. Ela conta que a sogra ficou um dia no corredor, mas já foi transferida para enfermaria. “Para falar verdade eu não tenho do que reclamar, sou de Guarapari e lá não temos atendimento, não temos hospital. Aqui nós chegamos e encontramos as portas abertas, ela recebeu atendimento”, destacou.

De acordo com a diretora técnica do São Lucas, há um déficit de leitos de internação na rede pública estadual, porém, a média de espera por vaga de internação no hospital não passa de um dia.

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