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Bancos desrespeitam lei que estabelece tempo máximo na fila

Em 2017, o Procon Estadual lavrou 66 infrações contra bancos que não respeitaram a legislação e deixaram o cliente esperando na fila

Bancos registram filas longas e desrespeitam lei que estabelece tempo máximo de espera
Bancos registram filas longas e desrespeitam lei que estabelece tempo máximo de espera
Foto: Caíque Verli

Leis municipais estabelecem o tempo máximo de espera por atendimento nos caixas dos bancos, mas isso não tem sido respeitado na Grande Vitória, segundo os clientes. Para pagar uma simples conta na boca do caixa, é preciso paciência. Em 2017, o Procon Estadual lavrou 66 infrações contra agências que não respeitaram a legislação e deixaram o cliente esperando demais na fila.

Esse tempo varia de 10 a 30 minutos, dependendo da cidade e também do dia, porque as leis têm uma maior flexibilidade em períodos com maior fluxo de clientes, como vésperas de feriados e datas de pagamento de servidores públicos.

Reportagem da CBN mostrou que mais de 30 agências foram fechadas e mil bancários foram demitidos nos últimos dois anos no Espírito Santo, o que aumentou a espera nas filas, que já eram grandes.

O caminhoneiro Jorge Luiz Fribber reclama da fila nos bancos
O caminhoneiro Jorge Luiz Fribber reclama da fila nos bancos
Foto: Caíque Verli

Em Vila Velha, por exemplo, o tempo máximo em dias normais deveria ser de 20 minutos ou de 30 minutos em dias com mais clientes, mas Gilmar Coutinho, aposentado de 60 anos, diz que essa lei nunca foi respeitada.

"Fica uma hora, uma hora e meia. O importante que fizeram no banco hoje foi aquelas cadeiras que colocaram para enganar os bobos. A gente fica sentado lá, tempo e tempo esperando", reclama.

Já na capital, o cliente não pode ficar mais de 10 minutos na fila, de acordo com a gerente do Procon de Vitória, Hérica Corrêa. Em vésperas de feriado, esse tempo pode aumentar para 25 minutos, como flexibiliza a lei. Mas o caminhoneiro Jorge Luiz Fribber diz que os bancos ignoram a legislação.

"Porque o horário de almoço dos funcionários não batem com o horário da população. Abre dez horas, 11h, 11h30 já sai uma turma para almoçar. Ficam três no caixa para atender 100, 200 pessoas em 20 minutos. Não tem como", se irrita Jorge.

A diretora-presidente do Procon Estadual, Denize Izaíta, orienta que o cliente guarde a senha que mostra o horário que ele entrou no banco. "Quando você vai ao caixa, você tem direito a uma senha informando o seu momento de chegada e o seu momento de efetivo atendimento. Esse documento já é suficiente para  ingressar com uma ação buscando um ressarcimento moral ou material", destaca.

Em Cariacica, o tempo de espera pelo atendimento das instituições bancárias não pode ultrapassar 15 minutos em dias normais e 25 em vésperas de feriados. Na Serra, o máximo estabelecido por lei municipal é de 15 minutos, estendido para 30 em dias de grande fluxo de clientes. Quem quiser fazer alguma denúncia pode procurar o Procon pelo número 151 ou pelo site do Procon: www.procon.es.gov.br.

Febraban

Por nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) garantiu que a qualidade na prestação dos serviços é preocupação central dos instituições associadas e que gastou mais de R$ 19 bilhões em tecnologia só em 2015 para melhor atender aos clientes. Disse ainda que realiza um trabalho constante para reduzir o tempo de espera para atendimento nas agências bancárias, mesmo com o forte crescimento das operações por meio eletrônico. Segundo a Febraban, em 2002, o total de transações realizadas na “boca do caixa” representava 22,8% das operações bancárias. Em 2015, essa participação recuou para 8%.

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