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Mais de 15 mil moradores sob medo em Porto Novo e Presidente Médici

Confronto deixou dois mortos, incluindo uma estudante de 18 anos, Karolaine do Rosário Matos, vítima de bala perdida

Uma barricada foi colocada no ponto final do bairro Presidente Médici, em Cariacica
Uma barricada foi colocada no ponto final do bairro Presidente Médici, em Cariacica
Foto: Caique Verli

Mais de 15 mil moradores dos bairros Porto Novo e Presidente Médici, em Cariacica, amanheceram dominados por um ambiente de medo. A região foi palco de um confronto entre traficantes e policiais militares durante a tarde e a noite de segunda-feira (02), que deixou dois mortos, incluindo uma estudante de 18 anos, Karolaine do Rosário Matos, vítima de bala perdida.

Duas escolas da região não funcionaram nesta terça-feira (03). Uma delas, a Escola Municipal (Emef) Padre Gabriel Maire, em Porto Novo, chegou a ser atingida por tiros um pouco depois do horário de saída dos alunos, que são crianças e adolescentes. No momento dos disparos, ninguém estava no colégio, mas as marcas de tiros nas janelas e paredes estavam presentes.

"Não levei meu filho para estudar na manhã de hoje por medo do clima de tensão que dominou o bairro. Mas a vida tem que seguir, por isso, à tarde, eu saí para fazer algumas coisas, como comprar pão", afirmou mãe de aluno da Escola Municipal (Emef) Padre Gabriel Maire.

Após o início do confronto, foram montados vários pontos de barricadas pelo bairro, onde criminosos incendiaram pneus e objetos e quebraram muitas garrafas de vidro na rua, que ainda estavam visíveis quando o dia amanheceu. 

Com medo, muitos moradores preferiram se calar. Mas uma mulher moradora da região, que pediu para não ser identificada, contou que ficou em pânico em casa quando ouviu os disparos.

"É um grande pânico, ninguém pode sair de casa, ninguém pode ficar tranquilo nem dentro de casa porque não sabe se uma bala pode atingir a gente. A Polícia chega atirando e vai ficando por isso", desabafou a moradora.

Uma outra moradora, também dona de casa, lembrou que sentiu o chão tremer com as bombas jogadas durante o confronto.

"Quando estava no sentido da minha casa, senti mais três tiros. Aí eu saí da casa. Durante a tarde, foi aquele tiroteio. E tiro, tiro, tiro. Muito tiro. Sentimos (o efeito da bomba) porque tremia a casa", relatou.

A Polícia Militar afirma que a confusão teve início depois que os militares abordaram quatro pessoas suspeitas, que reagiram. Houve uma troca de tiros e um dos suspeitos, Ricardo Belo Teixeira, de 20 anos, foi morto. Segundo a polícia, ele tem ligação com o tráfico. Questionado sobre o confronto, o secretário de Segurança Pública André Garcia disse que os PMs reagiram a uma agressão.

"A Polícia tem de agir proporcionalmente à agressão. A agressão foi para tirar a vida de um policial. O policial reagiu adequadamente na nossa visão. Todas as vezes que a Polícia for afrontada, ela deve agir e aplicar a força de forma . Se houve um disparo com arma de fogo, a resposta será com arma de fogo".

Por causa dos confrontos, os coletivos não subiram durante as primeiras horas da manhã no ponto final de ônibus, no alto de Presidente Médici. O serviço de transporte só foi normalizado depois das 10h30.

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