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Faltam Ritalina e outros medicamentos nas farmácias da rede estadual

Pacientes estão preocupados com a falta de medicamentos para os tratamentos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), diabetes e esquizofrenia

Jackeline Soares, mãe de criança que possui TDAH, reclama da falta de ritalina no CRE Metropolitano
Jackeline Soares, mãe de criança que possui TDAH, reclama da falta de ritalina no CRE Metropolitano
Foto: Rafael Monteiro de Barros

Pacientes que buscam medicamentos gratuitos por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) podem ter uma surpresa desagradável. Alguns remédios estão em falta nas farmácias que os distribuem para a população. Entre as medicações, estão o Metilfenidato, conhecido como Ritalina, usado para tratar Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

A falta de Ritalina, inclusive, tem causado prejuízos para pacientes de todo o Espírito Santo. Jackeline Soares, que é mãe de uma menina de 12 anos, faz parte de um grupo de cerca de 50 mães que tem filhos com TDAH no Estado. Ela conta que algumas crianças já estão sem o medicamento e que não se consegue encontrá-lo nem mesmo em farmácias.

Jackeline Soares falou que tem Ritalina suficiente para mais duas semanas para a filha e que não sabe o que vai fazer quando o remédio acabar. De acordo com a mãe, a menina tem o comportamento muito alterado quando fica sem a medicação. “Ela fica agitada, conversa muito, fica desatenta, não presta atenção nas aulas direito porque perde a concentração e o rendimento dela na escola acaba caindo um pouco.”

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Segundo o neurocirurgião Walter Fagundes, a falta do remédio pode causar prejuízos para as crianças, como dificuldade de concentração e agitação descritos por Jackeline Soares. “Uma vez que a pessoa não toma a medicação, ela pode ter a hiperatividade piorada e pode também piorar a capacidade de concentração e de atenção.”

Segundo o fabricante do remédio, a medicação não está sendo produzida porque falta matéria-prima para a fabricação. No entanto, segundo a gerente estadual de assistência farmacêutica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Gabrieli Fernandes Freitas, a previsão é de que a Ritalina volte a ser oferecida na Rede Estadual até o fim do mês de agosto.

Por nota, o Ministério da Saúde informa que o medicamento metilfenidato (Ritalina) não faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, alguns estados e municípios incluíram a substância na relação local e fazem a distribuição. 

EM FALTA

Outros remédios também estão em falta no Centro Regional de Especialidades (CRE Metropolitano): Clobazam, Imiglucerase, Insulina Glulisina, Risperidona Solução Oral e Tolterodina. Eles são utilizados para tratar problemas como diabetes, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.

De acordo com Gabrieli Fernandes Freitas, todos esses medicamentos, com exceção da Ritalina, possuem substitutos terapêuticos. Isso significa que a própria Sesa oferece outros remédios que podem ser utilizados em substituição aos que estão em falta. A gerente estadual de assistência farmacêutica também diz que a falta de medicamentos é uma situação pontual, já que a Sesa disponibiliza mais de 300 medicamentos diferentes e, em relação aos que estão faltando, existem alternativas.

“Isso é muito pouco se compararmos a toda a gama de medicamentos que nós temos. Deve-se levar em consideração também que situações pontuais de dificuldades com fornecedor e dificuldades de produção por falta de matéria-prima são questões que a Sesa não tem controle.”

Entre os motivos para a ausência dos remédios nas prateleiras estão atrasos na entrega por parte do fornecedor, atraso no envio pelo Ministério da Saúde e falta de matéria-prima, no caso da fabricação da Tolterodina.

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