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Carretas adulteradas podem ter provocado mais de 2 mil acidentes

Quatorze mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão foram cumpridos no Espírito Santo, na Bahia e em Minas Gerais, nesta quarta-feira (21) para desbaratar a quadrilha

Um esquema criminoso que falsificava documentos de instalação de eixos de carretas foi desarticulado pela operação Raptores, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Quatorze mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão foram cumpridos no Espírito Santo, na Bahia e em Minas Gerais nesta quarta-feira (21).O objetivo da quadrilha era com adulterações mecânicas os veículos pudessem circular com excesso de peso.

A suspeita é de que a quadrilha tenha adulterado 579 carretas em quatro oficinas do Espírito Santo. Segundo o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado, Bruno Simões de Oliveira, os suspeitos, nas oficinas, aumentavam a capacidade da carga transportada de forma irregular, incluindo novos eixos nos veículos, o que afetava partes importantes da mecânica, como freios, pneus e outros sistemas.

"Esses caminhões são modificados e alterados com eixos sucateados, eixos adquiridos em ferro velho, de veículos adquiridos de forma ilícita que alteram a capacidade de peso do caminhão de forma drástica", explicou.

A quadrilha contava com o apoio de funcionários de Detrans da Bahia e de Minas Gerais, que falsificavam documentos das carretas. A polícia trabalha com a possibilidade do esquema ter se espalhado para outros dez estados brasileiros. Com as modificações clandestinas, tornava-se mais fácil para o motorista perder o controle do veículo e invadir a contramão, o que aumentava o risco de acidentes nas estradas, como explicou o superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo, Wyllis Lira.

"Essas alterações faziam com o que o veículo perdesse à segurança em relação a freio, que não suportava essa quantidade de peso, e fazia com que o condutor perdesse a dirigibilidade do veículo", alertou.

A Polícia e o Ministério Público ainda não divulgaram os nomes dos presos, mas informaram que foram donos de oficinas, servidores dos Detrans e um empresário que emitia laudos falsos sobre a situação dos veículos. Eles vão responder pelos crimes de falsificação e comercialização de documentos públicos, lavagem de dinheiro, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, inserção de dados falsos em sistemas de informações dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e corrupção de servidores públicos. Os agentes, agora, vão investigar a participação de motoristas das carretas e donos de transportadoras.

No Espírito Santo, nos últimos dois anos, mais de 2 mil acidentes em rodovias federais e que resultaram em mais de 200 mortes, podem ter sido provocados por carretas que apresentavam eixo adulterado.

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