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Mapa detalha os crimes violentos contra as mulheres no Espírito Santo

O estado teve 99 homicídios contra mulheres em 2016, 127 em 2017, 92 no ano passado e neste ano já aconteceram 18

Mapa do Núcleo de enfrentamento as Violências de Gênero em Defesa do Direito das Mulheres (Nevid) detalha a violência contra as mulheres no Espírito Santo
Mapa do Núcleo de enfrentamento as Violências de Gênero em Defesa do Direito das Mulheres (Nevid) detalha a violência contra as mulheres no Espírito Santo
Foto: Reprodução

No Espírito Santo ocorreram 92 crimes violentos contra mulheres em 2018: 27 das vítimas tinham menos de 30 anos, 40 dessas mulheres moravam na Grande Vitória e 36 morreram com mais de um disparo de arma de fogo. E a violência não pára de crescer.

Já em 2017, foram 127 mulheres mortas, sendo que 29 foram assassinadas em casa, no trabalho ou nas proximidades da residência. Quase 60% era de cor preta ou parda e pelo menos 23 delas foram mortas pelo companheiro.

Em 2016, os números apontam para 45 mulheres assassinadas por armas de fogo e em 31 dos casos armas brancas levaram ao óbito. Nos últimos três anos, 40 das mulheres assassinadas tinham 18 anos ou menos: um problema que também faz sangrar a juventude feminina do estado.

Somente nos dois primeiros meses deste ano, já aconteceram 18 assassinatos de mulheres no estado e 9 desses casos foram qualificados como feminicídio - que é o homicídio praticado contra a mulher em razão da condição do sexo. Em muitos desses crimes, a violência é praticada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Todos esses dados fazem parte de um repugnante histórico de violência contra a mulher em todo o estado. Para expôr ainda mais esse problema e tentar auxiliar na estratégia de combate aos crimes, o Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa do Direito das Mulheres (Nevid), desenvolveu um mapa que passa a monitorar os crimes violentos praticadas contra as mulheres em todo estado. A nova ferramenta virtual ficará disponível no site do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e será atualizada sempre que um novo crime acontecer.

O mapa é feito com dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado (Sesp), gerados a partir de 2016. A ferramente apresenta informações como as taxas de homicídios contra mulheres em cada cidade capixaba, tipo de arma utilizada, local, hora e relação de vínculo entre a vítima e o acusado.

A promotora Cláudia Garcia, coordenadora do Nevid, destacou que reconhecer o problema e fazer o controle das estatísticas são aliados importantes no combate ao feminicídio.

"Para enfrentar um problema, a primeira coisa que a gente precisa é visibilizar e dar nome a esse problema. A partir do momento que nós fazemos um recorte de morte de mulheres e o feminicídio, nós conseguimos construir políticas públicas para enfrentar o problema", explicou a promotora.

Mapa do Núcleo de enfrentamento as Violências de Gênero em Defesa do Direito das Mulheres (Nevid) detalha a violência contra as mulheres no Espírito Santo
Mapa do Núcleo de enfrentamento as Violências de Gênero em Defesa do Direito das Mulheres (Nevid) detalha a violência contra as mulheres no Espírito Santo
Foto: Reprodução

Em um evento realizado pelo Nevid, ocorrido nesta sexta-feira (22), em Vitória, policias civis e militares, além de servidores do Ministério Público e do Poder Judiciário, assistiram palestras que destacaram a importância do aprimoramento da investigação em relação às mortes violentas de mulheres, para que casos de feminicídio não passem despercebidos.

A palestra foi ministrada pela delegada Eugênia Nogueira Villa, que é subsecretária de segurança pública do Piauí e atua no combate ao feminicídio desde 2015. Segundo ela, a diminuição dos casos não deve ser comemora até o feminicídio chegar ao fim no país.

"Lá no Piauí as pessoas nem mais me perguntam se reduziu. Não dá para falar em cifras, não dá para comemorar nada. Ser morta por ser mulher é um déficit democrático, que impulsiona o estado a adotar políticas sobre pena.

De acordo com os dados do mapa, o Estado teve 99 homicídios contra mulheres em 2016, 127 em 2017, 92 no ano passado e neste ano já aconteceram 18. A delegada Eugênia Nogueira Villa avalia que as análises comparativas ano a ano serão mais precisas após a conclusão de uma série histórica de pelo menos cinco anos, por conta das subnotificações.

 

 

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