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Luto na política: Antônio Ribeiro Granja morre aos 106 anos no ES

O ex-líder sindical estava internado desde quinta-feira (7) para tratar uma infecção e pedra na vesícula. No Estado, liderou o movimento sindical dos ferroviários e acompanhou a criação das primeiras leis trabalhistas

Antônio Ribeiro Granja: liderança histórica do Cidadania morreu aos 106 anos
Antônio Ribeiro Granja: liderança histórica do Cidadania morreu aos 106 anos
Foto: Reprodução/ Twitter Luciano Rezende

Morreu no final da noite de domingo (10), aos 106 anos, o ex-vereador de Cariacica, ex-líder sindical e presidente de honra nacional do Cidadania (antigo PPS), Antônio Ribeiro Granja. Segundo familiares, Granja estava internado desde quinta-feira (7) no Hospital Santa Mônica, em Vila Velha, onde tratava uma infecção e pedra na vesícula.

"A prática política ele fez até a véspera da sua morte. Era uma pessoa lúcida, com 106 anos, com muito mais esperança e visão de futuro do que a maioria dos jovens. Essa é a lembrança que tenho dele", lamentou o filho José Roberto Portugal.

O velório será aberto ao público na Câmara de Vereadores de Cariacica e vai ter início às 14h30 desta segunda-feira (11). O enterro está previsto para ocorrer às 10h desta terça-feira (12) no cemitério São João Batista, em Cariacica Sede.

BIOGRAFIA

Natural de Exu, em Pernambuco, Granja se mudou para São Paulo ainda na adolescência em busca de emprego. Em 1930, aos 17 anos, começou sua militância, ao entrar para a Aliança Liberal.

Granja passou a atuar no movimento sindical e entrou para o Partido Comunista, em 1934. Trabalhou como pedreiro e operário em São Paulo, até ser chamado para a construção da ferrovia Brasil-Bolívia. Com a criação da Vale do Rio Doce, em 1942, veio para o Espírito Santo para trabalhar na oficina de vagões da companhia, em Cariacica.

No Estado, liderou o movimento sindical dos ferroviários, acompanhou a criação das primeiras leis trabalhistas e participou do surgimento das primeiras centrais sindicais do Brasil. Organizando greves e se opondo ao governo getulista do Estado Novo, Granja chegou a ser detido algumas vezes pela polícia no período.

Em 1947, Granja foi eleito vereador de Cariacica pelo PCB. Perseguido, teve que deixar o Estado durante a ditadura militar.

Na última entrevista para A Gazeta, em julho de 2018, Granja relembrou o período de repressão e afirmou que a democracia está mais forte hoje do que quando iniciou a militância dele. "A democracia é irreversível. Pode tardar, mas sempre aparece. Eu sinto que hoje ela está bem mais forte do que quando comecei. Mesmo assim, ela enfrenta dificuldade, com a corrupção, os desvios dos cofres públicos, a crise de confiança com a classe política."

HOMENAGENS

O governador Renato Casagrande (PSB) homenageou o ex-líder sindical em seu Twitter. "Tem pessoas que são imortais pela sua coerência, persistência e, portanto, exemplo para muitos, assim ficarão lembrados para sempre. Antônio Granja, que nos deixou na data de ontem, é uma dessas pessoas. Deus acolha bem sua alma e conforte os corações dos familiares e amigos", escreveu Casagrande.

Correligionário de Granja, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (Cidadania), postou no Twitter que Granja foi "um grande líder, exemplo de retidão, honestidade e luta pelos mais necessitados".

O ex-governador Paulo Hartung (sem partido) afirmou que Granja "é um exemplo de militância pela emancipação humana e por uma sociedade igualitária". "Triste pela notícia do falecimento de Antônio Ribeiro Granja. Em sua vida centenária, traçou uma trajetória bonita e é um exemplo de militância pela emancipação humana e por uma sociedade igualitária. Minha solidariedade aos familiares e amigos", disse, por nota.

 

 

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