O impasse que pode atrapalhar a importação de vinhos pelo ES

Ouça detalhes na participação do comentarista Abdo Filho

Publicado em 09/06/2026 às 10h23
Vinho
Vinho. Crédito: Pexels

Nesta edição do "Economia e Negócios", o destaque com o comentarista Abdo FIlho é que o Espírito Santo é atualmente o segundo maior importador de vinhos do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina. É forte também na entrada das demais bebidas importadas. No ano passado, US$ 94,8 milhões entraram por aqui, e, em 2026, já foram mais de US$ 50 milhões. Por consequência, o Estado abriga grandes operações de e-commerce da América Latina com foco neste tipo de produto. Uma questão burocrática/sanitária, entretanto, pode atrapalhar toda a cadeia, que, de acordo com o Sindicato do Comércio de Importação e Exportação (Sindiex), emprega mais de 3,5 mil pessoas.

O problema é o seguinte: em 2024, o Ministério da Agricultura estabeleceu novos critérios e requisitos para o credenciamento e fiscalização de laboratórios de análise de bebidas. A única instituição a analisar os vinhos importados no Estado, o Laboratório de Bebidas de Origem Vegetal do Espírito Santo (Labeves), vinculado ao Instituto de Tecnologia da Ufes, não concluiu todas as etapas dentro dos prazos estabelecidos pelo edital. Ele não está sozinho, há outros casos no Brasil.

O Sindiex alerta que a ausência de laboratório credenciado no Estado comprometeria toda a cadeia, ameaçando mais de 3 mil empregos. "Haveria também migração das operações para outros estados, com perda direta da competitividade logística e aduaneira capixaba, redução do volume de negócios nos portos e impacto sobre a formação de recursos humanos especializados, já que o Labeves é um projeto de extensão universitária da Ufes, sem finalidade lucrativa", informa a entidade.

Diante da situação, os capixabas foram ao Ministério da Agricultura fazer algumas solicitações. O primeiro pedido trata da abertura de espaço formal de discussão sobre os impactos do credenciamento no comércio exterior capixaba, antes da finalização do edital. O segundo é a publicação de novo processo seletivo para as vagas não preenchidas, com prazos compatíveis com as exigências técnicas e regulatórias. O terceiro é o tratamento diferenciado ao Espírito Santo, nos mesmos moldes, de acordo com o Sindiex, do já concedido ao Rio Grande do Sul.

Há uma articulação em curso em Brasília e a expectativa é de uma agenda, para breve, na sede do Ministério da Agricultura. Ouça a conversa completa!