Dados do ES apontam efeito de comorbidades e taxa de mortes da Covid

Em entrevista ao CBN Cotidiano, o professor do Ifes e colaborador da Ufes, Adonai Lacruz, detalhou a metodologia e os resultados já encontrados

Publicado em 12/08/2020 às 16h59
Atualizado em 18/05/2021 às 06h46
Coronavírus. Crédito: Divulgação
Coronavírus. Crédito: Divulgação

Pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) estão utilizando os dados da Covid-19 informados pelo governo para indicar os efeitos das comorbidades em pacientes infectados pelo coronavírus no Estado. O estudo relaciona os casos mais graves à comorbidades por faixa etária. Em entrevista ao CBN Cotidiano, o professor do Ifes e colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm) da Ufes, Adonai Lacruz, um dos responsáveis pelo estudo, detalhou a metodologia e os resultados já encontrados. Ouça!

Os dados foram coletados no site do Painel Covid-19 do Governo do Estado no dia 27 de julho, às 14h50. Do total de 229.549 observações, foram utilizadas apenas às dos casos confirmados (77.201). Desse subtotal, foram utilizadas as observações relativas a pessoas sem comorbidade e com comorbidade exclusiva, totalizando 60.430 casos: 58.019 curados e 2.411 mortes. Além disso foram utilizadas as observações indicadas como "Cura" ou "Morte por Covid 19". Com esse procedimento foi criado um banco de dados adequado para avaliar a influência de diferentes comorbidades, quando exclusivas, no risco de morte.

Acerca das comorbidades, do total de infectados, 49.437 (81,8%) não tinham comorbidade e 10.993 (18,2%) tinham. Do total que não tinham comorbidade 47.749 (96,6%) foram curados e 1.688 (3,4%) morreram. Do total que tinham comorbidade 10.270 (93,4%) foram curados e 723 (6,6%) morreram. Assim, há uma indicação que o percentual de mortes por Covid-19 é maior naquelas pessoas que têm comorbidade. Este fato também já amplamente relatado.

Sobre a metodologia, Adonai explica: "É uma pesquisa realizada por equipes que não são da área de Medicina, mas nós entendemos que o conhecimento da área da Administração sobre análise de dados poderia ser usado em favor da compreensão sobre a pandemia. O ponto alto da pesquisa, a gente diria, é que os dados são utilizados de forma coletiva e já existe uma evidência que, quanto maior a idade, maior risco de morte e o que procuramos revelar é se essas comorbidades agem de forma diferentes, conforme a idade do paciente".