O que é a "hepatite misteriosa" que atinge crianças e possui dois casos suspeitos no ES

Quem explica é o médico pediatra infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria

Publicado em 11/05/2022 às 10h39
Criança doente
Criança doente. Crédito: Freepik

O Espírito Santo está investigando dois casos suspeitos da "hepatite misteriosa" aguda. No Brasil, são pelo menos 16 casos em investigação. De causa desconhecida, a doença tem se mostrado muito severa em crianças, e, em 10% dos casos, exigiu transplante de fígado. O público infantil afetado incluiu desde crianças de 1 mês aos adolescentes de 16 anos. A princípio, a "hepatite misteriosa" apresenta os mesmos sintomas de uma hepatite comum (A, B, C, D e E). Quem traz os detalhes, em entrevista à CBN Vitória, é o médico pediatra infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

Uma criança infectada com hepatite costuma apresentar febre, vômito, diarreia, perda de apetite, náusea, dor de cabeça e incômodos musculares, explica o médico. Outro sinal característico da doença é a icterícia (olhos e peles amarelos). Algumas crianças podem ter urina mais escura ou fezes pálidas ou cor de barro. Vale a pena destacar ainda as fortes dores abdominais, além de sangramentos causados por problemas de coagulação. Até agora, no caso da hepatite "misteriosa", os sintomas demonstraram ser parecidos. A única diferença é a forma rápida com que os casos evoluem, inclusive levando à necessidade de transplante do fígado.

Para evitar a contaminação pela doença, seja a "misteriosa" ou de A a E, Kfouri orienta que os pais devem ficar atentos à carteirinha vacinal dos pequenos. Além disso, é importante sempre lavar bem os alimentos, chupetas, mamadeiras, entre outros; e levar os pequenos para o acompanhamento médico periodicamente. Também é importante instruir as crianças quanto ao cuidado de higienizar as mãos e evitar tocar o rosto e a boca na medida do possível.

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O que diz a SESA

A Secretaria da Saúde segue monitorando somente dois casos em investigação para hepatite de causa ainda não definida. Desde a semana passada a Vigilância Estadual encaminhou aos municípios a orientação de notificação imediata aos casos prováveis, tanto pela rede pública, quanto pela rede privada. Em caso de suspeita, as notificações devem ser feitas no sistema e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS) e no Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS/ES).