Greve dos rodoviários afasta consumidores do Centro de Vitória

Fecomércio estima prejuízo diário de R$ 8 milhões para comerciantes por conta da paralisação do transporte público

Publicado em 03/12/2018 às 11h54
Atualizado em 20/05/2021 às 09h47
No primeiro dia de greve dos rodoviários, movimentação de clientes foi baixa no Centro de Vitória. Crédito: Eduardo Dias
No primeiro dia de greve dos rodoviários, movimentação de clientes foi baixa no Centro de Vitória. Crédito: Eduardo Dias

A Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória, é uma das mais importantes para o comércio de rua da Capital. Consumidores circularam por lojas e estabelecimentos comerciais ao longo da avenida diariamente e aquecem a economia da região. No entanto, por conta da paralisação dos rodoviários, que começou na madrugada desta segunda-feira (3), o que se viu no centro da cidade foram lojas e calçadas vazias.

Por conta de uma determinação da Justiça do Trabalho, no mínimo 70% da frota dos ônibus deve circular nos horários de pico (de 6h às 9h e de 17h às 20h). Nos demais horários, a determinação é de, no mínimo, 50% dos coletivos. Por isso, na avaliação dos comerciantes da Grande Vitória, o risco de sair de casa e ficar sem transporte público faz com que os consumidores tenham receio de ir às compras.

A reportagem da CBN Vitória esteve no Centro de Vitória e constatou a baixa movimentação no comércio. Em oito lojas visitadas, todas registraram atraso na chegada dos funcionários por conta da demora para conseguir embarcar em um ônibus.

Um dos exemplos dessa baixa movimentação de clientes e baixa nas vendas pôde ser visto na loja de roupas comandada pelo empresário Décio Etori. O empresário não quis estimar o tamanho de um possível prejuízo, mas afirmou que nas primeiras três horas de funcionamento do dia, fez apenas três vendas. O normal, segundo ele, seria ter atendido pelo menos 15 clientes.

Um dos exemplos dessa baixa movimentação de clientes e baixa nas vendas pôde ser visto na loja de roupas comandada pelo empresário Décio Etori. Crédito: Eduardo Dias
Um dos exemplos dessa baixa movimentação de clientes e baixa nas vendas pôde ser visto na loja de roupas comandada pelo empresário Décio Etori. Crédito: Eduardo Dias

"Você fica o ano todo esperando chegar esse momento, para as pessoas receberem o Décimo Terceiro e o começo de mês. Estava uma paradeira geral (no comércio), aí começou a greve dos ônibus. As pessoas não se arriscam a sair de casa e o movimento está bem abaixo da média", reclamou o comerciante.

Por conta da greve, a Federação do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), estima que a queda no movimento das lojas será de até 40%, dando um prejuízo diário de até R$ 8 milhões para os comerciantes. O presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, afirma que um balanço da primeira manhã da greve será divulgado na tarde desta segunda-feira.

Comércio vazio no Centro de Vitória. Crédito: Eduardo Dias
Comércio vazio no Centro de Vitória. Crédito: Eduardo Dias

MOTIVOS DA GREVE

Os rodoviários cobram um reajuste linear de pelo menos 4% nos salários, tíquete alimentação e plano de saúde. A categoria rejeitou os 3% propostos pelo sindicato das empresas. Uma nova reunião de negociação entre as partes está marcada para acontecer na tarde desta segunda-feira.