"Quem contrata pistoleiro para dar susto?", diz sogra de agricultora

Mãe do marido da vítima negou que ele tenha tido caso extraconjugal com Flávia, suspeita de ser mandante do crime junto da mãe Sula. Em depoimento, as duas afirmaram que "a intenção não era matar ninguém"

Publicado em 14/12/2019 às 13h04
Atualizado em 19/05/2021 às 05h32

A investigação policial que apura a morte da agricultora Thamires Lorençoni, ocrrida no último dia 30, em Vargem Alta, segue sem um desfecho. Na última quinta-feira (12), Sula e Flávia Almeida, mãe e filha que estão presas por suspeita de envolvimento no caso, prestaram depoimento e confessaram ter contratado pistoleiros, mas apenas para "dar um susto" na agricultora. Flávia disse ainda que tinha um caso com o marido da vítima, Gedson Batista.

Para a reportagem de A Gazeta, porém, a sogra de Thamires, Rosa Batista, negou qualquer envolvimento do filho com a suspeita. Ela questionou ainda a versão apresentada por mãe e filha.

"Quem contrata pistoleiro para dar só susto?", questionou a mãe do marido da vítima, que continuou: "Essa história tá muito mal contada. Para a gente é conversa fiada, uma mentira, porque se contrataram pistoleiro queriam era matar ela mesmo".

A mãe refutou a versão apresentada por Flávia de que ela teria algum caso com Gedson. Segundo Rosa, trata-se de uma "calúnia" e uma "informação para disfarçar o crime".

Dona Rosa disse ainda que o filho está sofrendo muito desde a morte da esposa. "Ele está muito atordoado com tudo isso, não está dormindo, mal está comendo. Está muito arrasado".

Segundo o advogado de defesa de Sula e Flávia, José Carlos Silva, em depoimento Flávia havia confirmado ao delegado Rafael Amaral, que conduz as investigações, que tinha um relacionamento com o marido de Thamires, mesmo ele estando casado.

“Ela fala que ele queria que fosse escondido e que ele dava esperança de separar da Thamires e assumir o relacionamento com ela. Ela falou que ele a ameaçava e, na hora que ele quisesse, ela tinha que aparecer", diz o advogado.

Mãe e filha contaram que pagaram R$ 1.500,00 para que criminosos assustassem a Thamires. O objetivo, segundo o advogado, era que ela entendesse que estava gerando problemas, devido ao sofrimento da Flavia, que tinha um relacionamento escondido com o marido de Thamires.

“No depoimento, elas disseram que em nenhum momento falaram em matar ninguém e que a ideia surgiu em função do sofrimento da Flavia, que vinha sendo ameaçada pela Thamires e pelo marido. A Flavia conta, inclusive, que ele, recentemente, fez ela passar uma vergonha, a desmoralizando na frente de todo mundo, em um bar em Vila Maria. Também falou que, por duas ou três vezes, a Thamires jogou a moto em cima dela, lá em Vila Maria”, relatou o advogado.

Sula e Flávia estão detidas desde o dia 5 em um presídio em Cachoeiro de Itapemirim, mas em celas diferentes. Até sexta-feira (14), os pistoleiros ainda não tinham sido localizados pela polícia. A reportagem tentou contato com o delegado Rafael Amaral, mas não teve sucesso.