Como evitar acidentes com aranhas? Especialista orienta!
Acompanhe com o comentarista Marco Bravo
Nesta edição do "CBN Meio Ambiente", o comentarista Marco Bravo, depois de falar dos escorpiões, fala das aranhas. Elas despertam medo e curiosidade, mas são animais fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, principalmente por atuarem no controle natural de insetos e outros pequenos animais. Elas pertencem ao Filo Arthropoda, Classe Arachnida e Ordem Araneae. Diferentemente dos insetos, possuem oito pernas, não apresentam antenas e têm o corpo dividido basicamente em cefalotórax (prosoma) e abdômen (opistossoma). Saiba como evitar acidentes com aranhas e o que fazer caso for mordido por uma. Confira!
Na região anterior encontram-se as quelíceras, estruturas associadas às presas por onde a maioria das aranhas inocula o veneno durante a picada. Possuem também pedipalpos, relacionados à percepção do ambiente, manipulação do alimento e, nos machos, à reprodução. Existem milhares de espécies de aranhas no mundo, desde pequenas aranhas domésticas até caranguejeiras de grande porte. No Brasil, entretanto, apenas alguns grupos apresentam importância médica relevante.
Entre eles destaca-se a aranha-armadeira (Phoneutria), conhecida pelo comportamento defensivo e pelo potente veneno de ação predominantemente neurotóxica. Sua picada pode provocar dor intensa, suor, alterações cardiovasculares, náuseas e, em casos graves, manifestações sistêmicas. Outro grupo importante é o das aranhas-marrons (Loxosceles). Seu veneno possui ação principalmente dermonecrótica e hemolítica, podendo causar lesões progressivas na pele e, nos quadros mais graves, alterações sistêmicas e renais.
Também merece atenção a viúva-negra (Latrodectus), cujo veneno apresenta forte ação neurotóxica, podendo provocar dor, contrações e espasmos musculares, sudorese e alterações do sistema nervoso autônomo. Já as caranguejeiras, apesar do tamanho e da aparência assustadora, normalmente não representam grande risco por seu veneno. Algumas espécies, porém, liberam pelos urticantes capazes de causar irritações na pele, olhos e vias respiratórias.
É importante esclarecer que não é correto afirmar simplesmente que todas as aranhas são perigosas. A maioria possui veneno utilizado para capturar suas presas, mas poucas espécies apresentam veneno capaz de provocar acidentes graves em seres humanos. Existem inclusive grupos de aranhas que não possuem glândulas de veneno.
Para prevenir acidentes, recomenda-se manter quintais e terrenos limpos, evitar o acúmulo de entulhos, madeiras, telhas e materiais de construção, sacudir roupas, toalhas e calçados antes de utilizá-los e usar luvas e calçados fechados durante atividades de limpeza e jardinagem. Também é importante afastar camas das paredes, evitar roupas acumuladas no chão e manter frestas, rodapés e possíveis abrigos domésticos sob atenção.
EM CASO DE PICADA:
- Em caso de picada, deve-se lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico, principalmente diante de dor intensa, alterações na pele ou sintomas gerais. Se for possível e seguro, uma fotografia da aranha pode auxiliar na identificação. Não se deve fazer cortes no local, tentar sugar o veneno, utilizar torniquetes ou aplicar substâncias caseiras. O tratamento depende da espécie envolvida e da gravidade do quadro, podendo incluir controle da dor, acompanhamento clínico e, nos casos indicados, soro antiaracnídico ou específico. Conhecer esses animais é uma das melhores formas de reduzir o medo e prevenir acidentes. As aranhas não são nossas inimigas: além de fazerem parte da biodiversidade, desempenham importante papel no equilíbrio ambiental.