Praias impróprias: como está o saneamento em cidades do ES?
Ouça as informações do comentarista Marco Bravo
Nesta edição do “CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade”, o comentarista Marco Bravo traz como destaque que o saneamento básico é uma das políticas públicas mais essenciais para a saúde, o meio ambiente e a qualidade de vida da população e, ainda assim, segue negligenciado em muitas regiões do Brasil. No Espírito Santo, episódios recentes de lançamento de esgoto sem tratamento em áreas costeiras e urbanas, como Itaoca, Guarapari e Serra, escancaram um problema estrutural que precisa ser tratado com seriedade e prioridade.
Quando o esgoto doméstico é lançado in natura em rios, córregos e diretamente no mar, o impacto é imediato e cumulativo. Nutrientes em excesso, matéria orgânica, bactérias, vírus e outros microrganismos patogênicos contaminam a água, degradam ecossistemas aquáticos e colocam em risco a saúde humana.
Praias impróprias para banho, mortandade de peixes, degradação de recifes e perda do turismo são apenas parte do prejuízo ambiental e econômico.
Do ponto de vista da saúde pública, a falta de saneamento básico está diretamente associada às chamadas doenças de veiculação hídrica. Gastroenterites, viroses, bacterioses, hepatite A, diarreias agudas e infecções parasitárias tornam-se mais frequentes em locais onde a população tem contato com água contaminada seja no banho de mar, no consumo indireto ou em enchentes e alagamentos urbanos. Crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas são os mais vulneráveis.
Além disso, o problema não fica restrito às áreas onde o esgoto é lançado. Rios carregam essa poluição por quilômetros até o litoral, e o mar, que muitos ainda veem como “infinito”, recebe uma carga contínua de contaminantes. O resultado é um ciclo perverso: poluímos a água, adoecemos a população e gastamos mais com saúde pública, enquanto deixamos de investir na solução real. Ouça a conversa completa!
Sobre a mancha na Baía de Vitória, o que diz a prefeitura
A Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Obras (SEMOB), vem a público esclarecer os fatos referentes ao lançamento de água na Baía de Vitória, observado na região da Ponte da Ilha do Frade, conforme questionamento recebido.
O efluente em questão está diretamente relacionado às obras de modernização do sistema de macrodrenagem da cidade, mais especificamente à construção da nova Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) na Praia do Canto.
Durante a fase de execução das fundações da nova estação, que está sendo erguida ao lado das quadras de futebol na Praça dos Namorados, é necessário realizar o rebaixamento do lençol freático. Este é um procedimento técnico padrão e fundamental para garantir a segurança e estabilidade da escavação em obras de grande porte.
A água bombeada e direcionada para a rede de drenagem é proveniente do próprio lençol freático da região. Historicamente, a área da Praia do Canto e da Ilha do Frade é constituída por um aterro hidráulico sobre o mar, o que faz com que o subsolo local tenha uma composição salina. Portanto, o efluente lançado não se trata de esgoto ou água poluída, mas sim de água salobra oriunda do subsolo, cujo destino final é a baía.
Esta operação é controlada, monitorada e está em total conformidade com as diretrizes técnicas e ambientais do projeto, que conta com todos os licenciamentos necessários. O procedimento é temporário e cessará com a conclusão desta etapa construtiva.