Apesar do tarifaço, exportação de rochas bate recorde histórico no Brasil

Esse é o assunto do comentarista Abdo Filho

Publicado em 13/01/2026 às 10h06
Segundo Fabio Cruz, o Centrorochas é a principal entidade representativa do setor de rochas naturais no Brasil
Indústria de rochas naturais no Brasil. Crédito: Centrorochas/Divulgação

Nesta edição de Economia e Negócios, o comentarista Abdo Filho traz como destaque a informação que a indústria brasileira de rochas fechou 2025 com o melhor desempenho de sua história, alcançando US$ 1,48 bilhão (R$ 7,96 bilhões no dólar atual) em exportações. Crescimento de 17,5%, de faturamento, em relação a 2024. O resultado supera o recorde anterior, de 2021. Os dados são da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). O Espírito Santo responde por 78,5% das vendas externas do Brasil, seguido por Minas Gerais (9,1%) e Ceará (7,4%).

O ótimo resultado se dá apesar do aumento da tarifa de importação dos Estados Unidos (os maiores compradores do planeta) em cima dos produtos brasileiros, em vigor desde agosto. Apenas os quartzitos ficaram de fora. Mármore, granito e ardósia, por exemplo, pagam taxa mais alta que a concorrência, portanto, uma enorme perda de competitividade.

O setor também avançou em volume físico exportado. Em 2025, as vendas externas somaram 2,11 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação ao ano anterior. O resultado reforça um movimento consistente de valorização das rochas naturais brasileiras, impulsionado principalmente pela elevação do preço médio de exportação, que ficou 14,2% acima do registrado em 2024.

“Os números impressionam, especialmente por terem sido alcançados em um ano desafiador, marcado pelo tarifaço, que provocou quedas relevantes nas exportações de granitos, mármores e ardósia. Se esses materiais tivessem mantido o ritmo de vendas do primeiro semestre, o setor poderia ter alcançado um faturamento próximo de US$ 1,6 bilhão em 2025”, avalia Tales Machado, presidente da Centrorochas. “Para as empresas focadas exclusivamente na extração de mármore e granito, o ano foi marcado por retração. Esse movimento, no entanto, acabou sendo compensado pelo avanço de outros materiais, como os quartzitos, que tiveram desempenho bastante positivo e ajudaram a sustentar o resultado geral do setor, nos surpreendendo com esse recorde histórico”.

Os Estados Unidos permaneceram, em 2025, como o principal destino das rochas naturais brasileiras, respondendo por 53,6% das exportações e faturamento de US$ 795 milhões (+11,8%). Na sequência aparecem China, com 17,5% de participação (US$ 260,1 milhões e 19% de expansão), e Itália, que alcançou US$ 117,7 milhões, um crescimento expressivo de 42,2% no ano. Ouça a conversa completa!