Solta o som: o clima é de quadrilha e dança pomerana!
Ouça a participação do comentarista Rafael Simões
Nesta edição do “Espírito Santo: Que História É Essa?”, o clima é de duas modalidades de danças características e que marcam a história do Estado: quadrilha e dança pomerana. O comentarista Rafael Simões traz as histórias.
Quadrilha: A quadrilha é uma das danças mais conhecidas pelo povo. Apesar de se ter originado nos palácios, por ocasião dos bailes das cortes europeias, no Brasil tornou-se a principal referência das festas juninas, tendo sido trazida para cá por mestres de orquestras de danças francesas. O povo brasileiro deu-lhe outras formas, inclusive o modelo caipira.
É uma dança de pares, com número variável de integrantes e vestimenta singular, valorizando o aspecto caipira. Os pares desenvolvem com muito movimento um tema de amor, com aproximação e recuo, separação e reencontro, sob o comando do marcador, terminando quase sempre em valsa com enlaçamento dos pares que se formaram no início da quadrilha.
Antigamente, as quadrilhas dançavam ao som de sanfona, pandeiro e zabumba, hoje adotaram a música mecânica, normalmente de cantores nordestinos.
Dança-se a quadrilha geralmente nas festas de devoção a São João, Santo Antônio e São Pedro. Há, atualmente, muitas festas com apresentação de quadrilhas, e para tanto se ensaiam coreografias com grupos de escolas ou associações sociais diversas. Os grupos tradicionais de quadrilha estão desaparecendo.
Danças pomeranas: O grosso da imigração de colonos pomeranos (agricultores de origem eslava radicados na Prússia) para o Espírito Santo ocorreu na década de 1870. Esses imigrantes se fixaram nas terras altas de Santa Leopoldina, onde passaram a viver em situação de grande isolamento, dedicando-se ao cultivo da terra. Esse isolamento territorial determinou, ao longo do tempo, a preservação dos costumes e tradições pomeranos, dentre os quais se incluem as danças típicas, que se desenrolam notadamente ao som da concertina. Na abertura da dança, o grupo se reúne em círculo para a saudação ao público, seguindo-se seis ou oito coreografias e, ao final, a dança de saída, com a despedida do grupo e o grito de guerra.
O grupo é constituído por 11 homens e 11 mulheres, adultos ou crianças. Os homens vestem calça bege, camisa de manga comprida branca e colete pomerano – traje que dispensa o chapéu – e as mulheres usam sapatilha preta, meia branca, vestido rodado, bombacha branca, anágua, blusa com manga fofa bordada e avental branco bordado.
Essa manifestação, em que não há santo de devoção, envolve diretamente 88 pessoas no Estado do Espírito Santo.
[fonte: Atlas do Folclore Capixaba, 2009]