Borboletas ajudam a "prever" mudanças climáticas e serão monitoradas no ES
Ouça entrevista com a coordenado pela gestora do Parque Estadual Paulo César Vinha, Juliana Salgueiro
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Fernanda Queiroz
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Borboletas serão estudadas para auxiliar no "diagnóstico" das mudanças climáticas no Espírito Santo. Em meio a preocupação sobre essas mudanças, espécies de borboletas – as chamadas "frugívoras" – serão monitoradas por pesquisadores no Estado para ajudar a identificar possíveis alterações ambientais, em especial, no Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari. Além do Parque Estadual Paulo César Vinha, o programa também vai acontecer na Reserva Biológica Duas Bocas (região que engloba Cariacica, Viana e Santa Leopoldina). A atividade começou em abril.
De forma prática, as borboletas vão avaliar a saúde ambiental das unidades de conservação. O trabalho é executado pela gestora do Parque Estadual Paulo César Vinha, Juliana Salgueiro, técnica ambiental. Juliana atua no Parque há cerca de duas décadas e, atualmente, é a gestora da unidade. O trabalho deve durar, ela explica, por cinco anos. A iniciativa decorre de uma portaria conjunta entre a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). Como vai funcionar?
Armadilhas
No Paulo Cesár Vinha, serão executados sete protocolos de monitoramento. O primeiro deles, já em andamento, é o que avalia a abundância, distribuição e diversidade de borboletas frugívoras em diferentes habitats. Para isso, foram instaladas armadilhas específicas com iscas à base de banana e caldo de cana, que atraem os insetos pelo odor.
Ela explica que as armadilhas permanecem em campo por sete dias a cada campanha. Durante esse período, as borboletas capturadas são registradas, marcadas e, posteriormente, devolvidas ao ambiente natural, garantindo a continuidade do ciclo ecológico e a coleta de dados confiáveis ao longo do tempo.
E por que essas borboletas?
"Essas borboletas são bioindicadores, porque são sensíveis às alterações no ambiente, daí vamos podemos avaliar, por exemplo, se a floresta está saudável, se teve algum declínio de população", explica.
Ela acrescenta. “Esse monitoramento permite acompanhar, ao longo do tempo, como as espécies respondem às mudanças no ambiente. As borboletas são excelentes bioindicadoras, e os dados gerados ajudam a orientar decisões mais assertivas para a conservação da biodiversidade nas Unidades de Conservação”, detalha. Em entrevista à CBN Vitória, ela detalha o assunto. Ouça a entrevista completa!