Igreja do Rosário é arrombada duas vezes em menos de 24 horas e tem porta de 300 anos danificada
Ouça entrevista com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no ES, Joubert Jantorno Filho
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Fernanda Queiroz
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A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico de Vitória, foi invadida duas vezes em menos de 24 horas nos últimos dias. Os criminosos arrombaram portas, destruíram parte do sistema de alarme e causaram danos ao patrimônio histórico nacional. Um bebedouro elétrico foi levado. Dois suspeitos foram presos. A primeira invasão foi descoberta na manhã da sexta-feira (15), quando integrantes da Irmandade de São Benedito encontraram uma das portas arrombadas. Dentro da igreja, o sistema de alarme havia sido destruído e uma sala onde ficam instrumentos musicais também foi danificada.
Segundo o secretário da Venerável Arquiconfraria Irmandade de São Benedito do Rosário, Walace Bonicenha, o maior prejuízo foi ao patrimônio histórico. "O prejuízo, na verdade, é o dano ao patrimônio. Danificou-se uma porta já com mais de 300 e tantos anos. Você tem paredes rompidas. É um dano, na verdade, ao patrimônio histórico", afirmou." Menos de 24 horas depois, a igreja foi invadida novamente. Durante a segunda invasão, os suspeitos chegaram a vasculhar um arcaz, que é móvel secular utilizado para guardar materiais das celebrações religiosas. Janelas da casa de leilão, que fica ao lado da igreja, também foram danificadas. Com o disparo do alarme, a Polícia Militar foi acionada e conseguiu chegar ao local enquanto os suspeitos ainda estavam dentro da igreja. Nesta segunda-feira (18), o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Espírito Santo, Joubert Jantorno Filho, cobrou da Prefeitura de Vitória o retorno da vigilância ao local.
O que diz a Prefeitura de Vitória
A Secretaria de Segurança Urbana (Semsu) informa que a Igreja do Rosário se enquadra como bem privado, cabendo aos responsáveis pelo espaço a adoção das medidas de segurança interna do imóvel.
A Secretaria ressalta, no entanto, que a Guarda Civil Municipal mantém rondas preventivas na região do Centro, incluindo o entorno dos equipamentos históricos e áreas de maior circulação. No caso específico da Igreja do Rosário, por se tratar de uma edificação privada e com áreas internas sem visibilidade direta a partir da via pública, a passagem de viaturas pelo entorno não permite, por si só, identificar eventual ocorrência no interior do imóvel.
A Semsu informa ainda que a retomada ou ampliação de ações específicas na região será avaliada dentro do planejamento operacional da pasta, considerando a demanda local, os registros de ocorrência e a necessidade de reforço das medidas preventivas.