Jardim de Penha: você conhece a origem do bairro 'labirinto'?

Ouça entrevista com a professora, arquiteta e urbanista, Luciana Nemer

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 07/10/2026 às 11h11
Jardim da Penha vista do alto. Pracinhas são marcas registradas do bairro.
Jardim da Penha vista do alto. Pracinhas são marcas registradas do bairro. Crédito: Gildo Loyola/Arquivo Gazeta

Atualmente, o bairro Jardim da Penha possui cerca de 45.400 habitantes, sendo o segundo bairro mais populoso de Vitória, atrás apenas de Jardim Camburi (IBGE 2022). Fotografias e documentos como legislações, plantas urbanísticas e levantamentos cadastrais, preservados no Arquivo Público de Vitória, resgatam uma época em que o bairro, um dos mais conhecidos da Capital, não tinha ruas, prédios, carros, padarias nem moradores. A região era apenas uma grande fazenda cercada de mata nativa.

O traçado peculiar do bairro, que ficou conhecido como uma espécie de "labirinto", foi projetado na década de 1950, sobre ideais modernistas e muito ousados para a época. As largas avenidas diagonais e ruas que começam e acabam em praças – e que podem confundir os visitantes – foram planejadas para estimular a vivência comunitária e a circulação das pessoas. Em entrevista à CBN Vitória, a professora, arquiteta e urbanista, Luciana Nemer, que participa dessa imersão no Arquivo Público, fala sobre o assunto.

Durante séculos, a cidade de Vitória ficou concentrada no Centro e arredores. A parte continental era uma área rural distante, separada da ilha pelo Canal de Camburi, manguezais e trechos de mata. A primeira ligação com o continente foi feita por uma ponte de madeira construída no final do século XVIII. Por ela passavam pedestres, cavaleiros, carroças e animais de carga. O imperador Dom Pedro II utilizou essa travessia, em sua viagem ao Espírito Santo, para seguir de Vitória para o Norte da província.

Próximo à ponte, ficava a Fazenda Mata da Praia, também conhecida como Sítio Queiroz. A propriedade foi registrada em 1891 em nome do capitão Justiniano Azambuja Meyrelles. Era uma região coberta de Mata Atlântica, com cajueiros, bromélias, goiabeiras, palmeiras, orquídeas e uma vasta restinga. E de qualquer parte daquela área era possível avistar o Convento da Penha.

Foi em meados dos anos 1960 que chegaram os grandes projetos industriais do Espírito Santo e o decorrente crescimento demográfico. A ocupação da Ponta de Tubarão, com a inauguração do Porto de Tubarão, a expansão da antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD, atual Vale) e, um pouco mais tarde, a instalação da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST, atual Arcelor Mittal) e da antiga Aracruz Celulose (atual Suzano). Na mesma época, houve a expansão do Aeroporto de Vitória e da Universidade Federal do Espírito Santo, com a criação do campus de Goiabeiras. Todos esses empreendimentos atraíram trabalhadores, técnicos, professores, engenheiros e empresários. Para responder a essa expansão, havia o recém-criado Banco Nacional da Habitação (BNH), que financiou várias moradias. Em 1968, surgiu o Inocoop-ES, responsável pela implantação de vários conjuntos habitacionais destinados aos trabalhadores organizados em cooperativas. Ouça a conversa completa!

[fonte: com informações do Arquivo Público de Vitória]