Livro revela cotidiano de famílias escravizadas no Espírito Santo; conheça detalhes!

Ouça entrevista com a pesquisadora e autora, Laryssa Machado

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 21/04/2026 às 10h44
Livro revela cotidiano de famílias escravizadas no Espírito Santo
Livro revela cotidiano de famílias escravizadas no Espírito Santo. Crédito: Divulgação

A realidade da escravidão no Espírito Santo é muito mais complexa do que se imagina e vai além dos relatos de violência. Existiam relações familiares. O livro "Retratos da Escravidão em Itapemirim-ES: uma análise das famílias escravizadas entre 1831 e 1888" (editora Praia) é resultado de uma trajetória de pesquisa iniciada ainda na graduação pela historiadora Laryssa Machado, natural de Marataízes, no Sul do Estado, região próxima à Itapemirim, cenário central do livro. “Nos acostumamos a falar sobre os cativos como seres inanimados, sem vontade, sem vida, marionetes nas mãos dos senhores. Porém, ao nos debruçarmos sobre os documentos, vemos que cada escravo era um ser humano que, na medida do possível, estabelecia estratégias sociais. E as famílias são uma dessas estratégias”, explica.

Ela explica que o trabalho de pesquisa começou ainda na graduação, a partir da busca por documentos históricos da própria região. O acesso a registros da Igreja Católica, como livros de batismo e óbito de pessoas escravizadas, traz histórias pouco conhecidas. O livro nasce do interesse da autora em compreender a história de sua própria região, no sul do Espírito Santo.

" As pesquisas sobre famílias cativas já são consolidadas dentro da academia, com trabalhos, porque era muito comum na escravidão no Brasil. A gente se baseia muito na escravidão das novelas, do cotidiano da violência, do tronco, do trabalho escravo. Não que não tivesse isso, mas era uma sociedade que se constituía com outras bases, e um dos alicerces dessa sociedade eram as famílias das pessoas escravizadas. O trabalho mostra a questão dos vínculos familiares e constituídas dentro da sociedade", explica.

Em Itapemirim, por exemplo, havia várias fazendas com mais de cem escravizados (de um único dono). Famílias, com seis, sete crianças. Muitas famílias, com mães sozinhas. Itapemirim é uma das regiões com maior quantidade de povos africanos. E até urso panda em fazenda! Uma figura importante de Itapemirim adquiriu um urso panda: Joaquim Marcelino da Silva Lima, que ficou conhecido como o Barão de Itapemirim. O bicho existiu e consta na lista nominal da população da Vila de Itapemirim em 1833. Esse animal teria vivido na Fazenda Muqui, em Graúna, interior de Itapemirim, que pertencia ao Barão. Não se sabe até que ano nem por quanto tempo o urso viveu, já que o levantamento não era feito em todas as vilas e nem havia regularidade". Ouça a conversa completa!