Março Lilás: o alerta para o câncer que pode ser evitado com vacina
Ouça entrevista com o médico Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita
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Fernanda Queiroz
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O mês de março começa com um alerta urgente para a saúde feminina: a campanha Março Lilás. O câncer de colo de útero é hoje um dos tumores mais comuns entre as mulheres no Brasil. Essa é uma das poucas doenças oncológicas que podem ser quase totalmente evitadas com prevenção e vacinação.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) são preocupantes. Para o triênio 2026-2028, a estimativa é de mais de 19 mil novos casos por ano, um aumento de 14% em relação ao período anterior. A doença é a que mais mata mulheres até os 35 anos e a segunda mais letal até os 60 anos. O que torna esse cenário ainda mais doloroso é que 99% dos casos estão ligados à infecção pelo HPV, o papilomavírus humano, que já possui vacina gratuita no SUS desde 2014.
Segundo o Painel Oncologia Brasil, foram registrados no Espírito Santo, 208 casos da doença e 162 pessoas morreram em 2025.
O Brasil vive um momento de transição tecnológica na saúde. O tradicional exame Papanicolau está dando lugar, gradualmente, ao teste molecular de DNA-HPV, um método muito mais sensível e eficaz para detectar o vírus antes que ele cause lesões graves. O exemplo vem de fora: a Escócia já conseguiu praticamente eliminar a transmissão deste câncer graças à vacinação em massa de jovens.
No Brasil, a vacina está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas vivendo com HIV até os 45 anos. Prevenir o câncer de colo de útero é uma corrida contra o tempo e contra a desinformação. O diagnóstico precoce e o esquema vacinal completo são as únicas armas para mudar essa realidade e salvar milhares de vidas todos os anos. Ouça entrevista com o médico Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita.