Saiba como uma mecha de cabelo pode auxiliar na resolução de crimes no ES!
A análise é realizada por meio do trabalho do Laboratório de Toxicologia Forense
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Fernanda Queiroz
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Uma mecha de cabelo é mais do que um vestígio! É um registro que pode revelar, ao longo do tempo, informações sobre hábitos, exposições e eventos relacionados a ocorrência de um crime. A Polícia Científica do Espírito Santo é a única polícia do Brasil a realizar análises de cabelo para fins criminais. A análise é realizada por meio do trabalho do Laboratório de Toxicologia Forense (LABTOX). A análise de cabelo é realizada em casos de crimes facilitados por drogas, como por exemplo abuso sexual, e o chamado "Boa Noite Cinderela". Além disso, intoxicações crônicas resultantes de envenenamento também podem ser detectadas pela análise do cabelo.
De acordo com a perita oficial criminal, Mariana Dadalto, chefe do laboratório, diferentemente do sangue e da urina, o cabelo permite a detecção de substâncias semanas ou até meses após a exposição. “Isso acontece porque, à medida que o fio cresce, ele incorpora essas substâncias e funciona como um verdadeiro marcador biológico ao longo do tempo. Assim, é possível até dividir o cabelo em segmentos e descobrir em qual período a pessoa esteve exposta ou fez uso de determinada substância. Essa característica possibilita o rastreamento retrospectivo do histórico de exposição ou consumo, permitindo inclusive a segmentação temporal mês a mês”, explica.
Além disso, desde 2012, a perícia capixaba mantém convênio com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que viabiliza a utilização do Espectrômetro de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado, equipamento de alta precisão para análise de elementos químicos, utilizado em casos como os de intoxicação crônica por arsênico, por exemplo. No caso das demais substâncias pesquisadas nas perícias do LABTOX, aproximadamente 60, são utilizados os equipamentos de cromatografia da própria Polícia Científica.
Segundo Mariana Dadalto o número de casos analisados vem aumentando, entretanto, o aumento também está relacionado ao maior conhecimento por parte das autoridades da existência do exame. “O crescimento e a especialização da equipe do laboratório também refletem no número de análises realizadas”, explica. Em entrevista à CBN Vitória, a perita fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!