Super El Niño ganha força e acende alerta para seca severa no ES

Ouça entrevista com o coordenador da Defesa Civil, Coronel Benício Ferrari Júnior

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 19/10/2026 às 11h00
Nasa capta imagem do El Niño - fenômeno meteorológico que eleva as temperaturas
Nasa capta imagem do El Niño - fenômeno meteorológico que eleva as temperaturas . Crédito: Sentinel-6 Michael Freilich / Nasa

O fortalecimento do El Niño tem agravado a seca no Espírito Santo. De acordo com o 10º Boletim Climático do CICC El Niño, divulgado pela Defesa Civil do Espírito Santo, há 100% de probabilidade de o fenômeno ser classificado como muito forte até o fim do ano, com efeitos que devem durar até o início de 2027. Segundo o coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel Benício Ferrari Júnior, a temperatura do oceano indica um “Super El Niño”, com aquecimento próximo de 4 graus, o maior registro em 150 anos. Como o fenômeno costuma provocar chuva no Sul do país e seca no Norte, o Espírito Santo, por estar em uma zona de transição, pode ser afetado pelos dois efeitos: temporais e chuvas fortes, mas também seca severa.

Em agosto, todos os municípios capixabas entraram na categoria de seca moderada, e a maior parte das estações monitoradas registrou até nove dias seguidos sem chuva significativa. De acordo com o Coronel Benício Ferrari, da Defesa Civil, agosto foi o pior da série histórica. Setembro teve cinco frentes frias, com chuva, mas não reverteu o quadro: a evaporação supera o volume de chuva, e a situação das bacias pode se agravar de uma semana para a outra.

O boletim mostra 20 captações de água em alerta. Dezessete delas estão em estado de atenção, duas em situação crítica e uma, a do Córrego Manteninha, em Mantenópolis, em nível extremamente crítico. No Norte do estado, de cenário semiárido, a estiagem se repete todos os anos, de junho a setembro. O ciclo normal prevê chuva forte de meados de outubro a março, mas, com o El Niño, há o risco de um verão com chuvas irregulares e de duas estiagens seguidas, como em 2014 e 2015. Para o coronel, o período mais difícil vem depois do verão.

Outra grande preocupação é o risco de incêndios florestais. As temperaturas máximas já ficaram até três graus acima da média no Centro-Norte, e o calor, o vento e a baixa umidade da vegetação fazem o fogo se alastrar rapidamente. Foram registrados 518 focos de calor nos primeiros 11 dias de outubro, concentrados em Pinheiros, Aracruz, São Mateus, Baixo Guandu e Linhares. O cenário esperado para o pós-verão pode atingir todo o estado.

Quase todos os incêndios começam por ação humana, seja por queimadas para limpeza de terrenos, falta de controle ou crime, o que dificulta a identificação dos responsáveis. Como ocorre todos os anos no período de risco, o Corpo de Bombeiros mantém a “Operação Estiagem”, em parceria com o Governo Federal, com pagamento de diárias a militares de folga, que reforçam as equipes enquanto for necessário. As ocorrências diminuíram em setembro e voltaram a subir em outubro, e o efetivo em campo está sendo ampliado.

O uso intencional do fogo está proibido neste período. Se o fogo for acidental, é preciso chamar o Corpo de Bombeiros ou o município. Diante de um incêndio, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros, evitar juntar folhas, não colocar peças quentes em contato com a vegetação e manter-se hidratado. Para economizar água, é importante verificar vazamentos, evitar a lavagem de veículos e respeitar as restrições de uso impostas. O coronel reforça que o estado está fazendo a sua parte, mas que o combate à seca e ao fogo exige a colaboração direta da sociedade. Em entrevista à CBN Vitória, o coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil do Espírito Santo, Coronel Benício Ferrari Júnior, fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!