"Teatro do horror": adolescente incentivava automutilação em crianças e torturava animais
Ouça detalhes da investigação na entrevista com o delegado Tarsis Gondim
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Fernanda Queiroz
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Um adolescente de 16 anos foi apreendido durante a "Operação Desconectado", na Serra, na última quarta-feira (16), suspeito de integrar uma organização criminosa digital dedicada à prática de tortura contra animais, produção e difusão de pornografia infantojuvenil, apologia ao nazismo e indução à automutilação e ao suicídio. Segundo a Polícia Civil, o alvo da ação, um adolescente de 16 anos, foi apreendido na Serra.
As investigações apuram a prática de atos infracionais cometidos em plataformas digitais, especialmente no aplicativo Discord, com vítimas em diversas unidades da Federação. Segundo apurado, os envolvidos utilizavam ambientes virtuais para incentivar e transmitir condutas violentas, incluindo maus-tratos e tortura contra animais, além de estimular a automutilação, sobretudo entre crianças e adolescentes.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, durante buscas na residência do investigado, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares e dispositivos de armazenamento de dados, que serão submetidos à perícia técnica para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos.
De acordo com adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, delegado Tarsis Gondim, as investigações revelaram um cenário descrito nos autos como um "teatro do horror". O grupo utilizava plataformas de comunicação como Discord e Telegram para transmitir ao vivo sessões de sadismo.
“Foi constatado que a organização tratava a crueldade contra animais como forma de entretenimento. Os envolvidos, sob comando do adolescente apreendido, realizavam chamadas de vídeo onde mutilavam e matavam animais domésticos, enquanto espectadores incentivavam os atos” explicou o delegado. Além disso, a organização atuava na distribuição massiva de material de abuso sexual infantil (Child Sexual Abuse Material) e utilizava esses conteúdos, bem como ameaças de vazamento de dados (doxing), para coagir outras vítimas, em sua maioria crianças e adolescente, a se submeterem a rituais de degradação física e psicológica transmitidos em tempo real.
O procedimento tramita sob segredo de justiça. Em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Polícia Civil não divulga informações que possam levar à identificação do adolescente, ressaltando que as ações visam à proteção das vítimas e à repressão de crimes praticados no ambiente virtual.