Tudo o que você precisa saber sobre a vacina da Janssen contra a Covid-19

Quem responde é o imunologista Daniel de Oliveira Gomes, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

Publicado em 24/06/2021 às 11h19
Ampola da vacina da Jannsen contra a Covid-19
Ampola da vacina da Janssen contra a Covid-19. Crédito: Don Pollard/Office of Governor Andrew M. Cuomo

Aprovado para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 31 de março de 2021, o imunizante da Janssen contra a Covid-19 foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações. O laboratório já entregou o primeiro lote ao Brasil, com 1,5 milhão de doses. O Espírito Santo recebe 31.550 doses deste lote, que vai ter aplicação concentrada nos quatro municípios de maior população: Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica.  A vacina é a única que depende somente de uma dose para imunização completa contra o coronavírus. Em entrevista à CBN Vitória, o imunologista Daniel de Oliveira Gomes, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica tudo o que você precisa saber sobre a vacina da Janssen. 

A validade original da vacina após a fabricação é três meses. Este primeiro lote recebido venceria no próximo dia 27 de junho. Porém, após decisão da agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, de ampliar o prazo para quatro meses, com corroboração da Anvisa, este lote poderá ser usado até 08 de agosto. A concentração da aplicação nestes quatro municípios é devido ao prazo de validade mais limitado. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em remessas futuras, as doses serão proporcionalmente distribuídas aos demais municípios, tal qual ocorrem as distribuições dos demais imunizantes.

Os resultados dos testes clínicos da vacina, que é produzida pelo laboratório Janssen, do grupo Johnson & Johnson, foram publicados em abril no periódico científico "New England Journal of Medicine". Segundo a publicação, a vacina apresentou eficácia de 66% contra os casos moderados e graves da Covid-19, eficácia de 85,4% apenas contra os casos graves, e 100% de proteção contra hospitalização e morte por Covid depois de 28 dias da aplicação. Os dados de eficácia e segurança se baseiam em estudo com 43.783 participantes em oito países de três continentes, incluindo o Brasil, com uma população diversa e ampla, sendo 34% dos participantes com mais de 60 anos de idade.

- Em fevereiro, a FDA informou que a vacina funcionou contra a variante Beta (África do Sul) considerada a mais contagiosa.

- A Janssen usa a tecnologia de vetor viral recombinante. O vetor viral usa um adenovírus humano para expressar a proteína S do SARS-CoV-2. Ou seja, ele usa um vírus do resfriado comum desenvolvido para ser inofensivo. Segundo a bula do imunizante, nenhum dos ingredientes pode causar Covid-19.

- Segundo a Johnson, o imunizante pode gerar reações no local da aplicação: dor, vermelhidão na pele e inchaço. Quanto aos efeitos colaterais gerais, a desenvolvedora informa que foi observado durante os testes dor de cabeça, sensação de muito cansaço, dores musculares, náusea e febre.