Histórias de apoio mútuo entre mulheres na Grande Vitória
Sejam em projetos contra violência doméstica ou de empreendedorismo feminino, conheça a história de mulheres que fazem a diferença e mudam a vida de outras mulheres na Grande Vitória
Já foi o tempo em que diziam que mulher é o sexo frágil. Elas são fortes, vão à luta e escrevem a própria história. Neste Dia Internacional da Mulher (8), a Rádio CBN Vitória mostra exemplos de mulheres que enfrentaram a violência doméstica e deram a volta por cima. E isso só foi possível por causa do trabalho de outras mulheres que dedicam um pouco do seu tempo para fazer a diferença na vida dessas pessoas.
Maria (nome fictício) ficou casada durante 12 anos. No começo do relacionamento a violência era psicológica, depois de um tempo veio as agressões físicas que não deixavam marcas. “Ele batia na cabeça ou nas costas, em lugar que não marcava e era um soco só. Cinco minutos depois ele se arrependia e vinha me pedir desculpa”.
A última agressão foi no ano passado, quando ela levou socos na boca e o marido bateu nela com um cinto no rosto. Maria procurou a polícia, conseguiu uma medida protetiva e saiu de casa com as filhas. Hoje ela diz que está mais leve, mais feliz e ainda usa o caso dela para orientar as clientes sobre relacionamentos abusivos.
“Eu percebi que, como eu, tem muitas mulheres que não sabem que estão em um ciclo de violência doméstica. Já tive a oportunidade de estar no meu salão, a cliente falar e eu identificar que ela está passando por essa situação e ela não reconhecer”, contou.
Vera Lúcia Santos ficou casada durante 24 anos. O ex-marido não era violento, mas ela não estava feliz no relacionamento. Mesmo querendo dar um fim ao casamento, ela não conseguia, pois, dependia financeiramente do companheiro. “Eu achava que não era capaz, que tinha que fazer tudo que mandavam, que eu não era capaz de nada”, disse.
A vida da Vera começou a mudar quando ela conheceu o projeto MUCA (Mulheres Unidas do Caratoíra). A dona de casa decidiu vender cuscuz, se separou e hoje não depende financeiramente de ninguém. “Esse grupo me ajudou bastante, na parte psicológica e na financeira. Eu pude me desenvolver, antes eu era uma pessoa parada, achava que não podia ir além e hoje eu posso”.
De acordo com Winy Fabiano, uma das representantes do MUCA, o projeto de empreendedorismo surgiu em 2016 a partir de um grupo terapêutico da Unidade de Saúde do Alto de Caratoíra. Lá, elas perceberam a necessidade de empoderar as mulheres da região para que elas se tornassem mais independentes. Atualmente, cerca de 20 mulheres fazem parte do projeto.
“A maioria das mulheres que está em um relacionamento abusivo permanece por causa da dependência financeira e o empreendedorismo vem para ajudar isso. Essa questão de você estar vendendo um produto de beleza dentro de casa, isso movimenta o empreendedorismo dentro da periferia. Não é só a questão do trabalho feminino, isso ajuda a comunidade de um modo geral. Cada uma vende seu produto e divulga o trabalho da outra”.
Quem também está sempre desenvolvendo projetos para ajudar mulheres vítimas de violência é a procuradora de Justiça, coordenadora estadual do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público e professora de Direito da Ufes, Catarina Cecin Gazele.
Durante quatro ano a procuradora esteve à frente do Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (NEVID). Neste período, uma das ações foi a capacitação de policiais civis e militares de todo Estado para prestar atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica.
“Foi muito gratificante ver a Polícia Militar melhorando sua qualidade de atendimento, a PM sendo elogiada em vários setores e o resultado foi muito rápido porque trabalhávamos incansavelmente, acabava um grupo começava outro”, contou.
Atualmente, a procuradora, que também é pesquisadora sobre a Lei Maria da Penha, é integrante da Comissão de Assédio Sexual da Ufes. A comissão desenvolve ações de prevenção contra o assédio dentro da universidade. Nos próximos dias, dois números de celulares serão disponibilizados para estudantes e servidores denunciarem casos de abuso.
De acordo com a doutora Catarina, infelizmente, casos assim são registrados em todo país. “O assédio no meio acadêmico existe,mas infelizmente, em muitos lugares colocam essa sujeira embaixo do tapete, mas na Ufes queremos trabalhar de modo aberto. O que for sigiloso nós contamos o caso sem divulgar nome, mas não vamos esconder o que existe. Não existe segredo nesse aspecto”, enfatizou.
Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de CBN Vitória.