Infância e meio ambiente: o direito de crescer em um planeta saudável

Ouça a série de reportagens especiais de Beatriz Heleodoro sobre a relação entre mudanças climáticas, direitos fundamentais e o futuro das crianças

Vitória
Publicado em 20/08/2025 às 12h41
Em agosto de 2023, a ONU afirmou pela primeira vez que todos os menores de 18 anos têm direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável
Em agosto de 2023, a ONU afirmou pela primeira vez que todos os menores de 18 anos têm direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável. Crédito: Camilly Napoleão

Em 2025, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 35 anos. Criado em 1990, o documento é um desdobramento direto da Constituição de 1988, e marca a virada de chave no olhar da sociedade brasileira para os mais jovens. Desde então, crianças e adolescentes são vistos como sujeitos de direito: na prática, isso quer dizer que são prioridade absoluta para sociedade civil, família e Estado, e devem ter direitos fundamentais assegurados. Entre esses direitos citados no Artigo 5º, estão áreas prioritárias para as políticas públicas: saúde, alimentação, educação, lazer, cultura.... e meio ambiente.

Nesta reportagem especial, a repórter Beatriz Heleodoro buscou ouvir especialistas que expliquem como a preservação do meio ambiente está ligada à garantia de outros direitos fundamentais dos mais novos. Afinal, em um mundo que passa por mudanças climáticas extremas, como a saúde da natureza impacta o futuro das próximas gerações?

GUARDIÕES DOS DIREITOS

O primeiro episódio da série procura entender quais direitos são garantidos às crianças e como o meio ambiente pode estar ligado a eles. A promotora de Justiça Valéria Barros e os defensores públicos Carlos Eduardo Rios do Amaral e Samantha Souza explicam como é o trabalho de proteção das crianças. A advogada e fundadora do Jusclima, Luciana Bauer, apresenta o conceito de justiça intergeracional.

O CLIMA ADOECE E O CORPO SENTE

A pauta ambiental está ligada a todas as outras pautas. Logo, se o meio ambiente sofre com extremos, a saúde também estremece. E a preocupação é com os grupos mais vulneráveis: crianças e idosos. O pediatra, infectologista e presidente de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, apresenta uma cartilha com orientações sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde de crianças. A especialista em mudanças climáticas e emergência da Plan International Brasil, Júlia Gouveia, e o diretor executivo da Plant-for-the-Planet Brasil, Luciano Frontelle, também contribuem para a discussão. O filósofo, escritor, ambientalista, jornalista e líder indígena Ailton Krenak também dá sua opinião.

QUAL O FUTURO QUE ELES QUEREM?

Chegou a vez de ouvi-los! Seis adolescentes do Espírito Santo compartilham seus desejos para o futuro. Ouça também a participação da professora Michelli Borges Ximenes. A Samantha Graiki é uma das colaboradoras da cartilha "Educação climática: guia prático para famílias e educadores", uma parceira entre o movimento Famílias Pelo Clima, rede Escolas pelo Clima e Saúde Planetária Brasil.

Para os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro de 1993, o cantor Martinho da Vila compôs o samba-enredo “Gbala – Viagem ao Templo da Criação” para a agremiação Unidos de Vila Isabel. A composição aborda o adoecimento do criador após testemunhar a destruição da humanidade. São as crianças, nos versos do samba, a esperança de um mundo melhor.

Esta série especial de reportagens propôs uma viagem no tempo para relembrar os direitos dos mais novos. Assim como na composição de Martinho da Vila, ouvimos vozes que ecoam a missão de resgatar e preservar o planeta.